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ARTIGOS



A mente humana é capaz de resolver, graças à razão, mesmo os problemas situados fora dos limites da experiência, concluiu o pensamento filosófico da Idade Média, encerrado com o advento do Humanismo e do Renascimento nos séculos XIV e XV.

Vem-se consolidando, no Mundo Moderno, desde Bacon e Kant aos pensadores contemporâneos, a idéia segundo a qual a razão humana não tem capacidade para indagar de questões situadas no plano metaempírico, como a existência ou não de Deus, a imortalidade da alma ou seu destino ultraterreno. Essas questões se situariam no plano da fé, ou seja, da crença religiosa. Representam o divórcio entre a razão e a ciência, conclui Miguel Reale (“Variações sobre a fé”. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 24.abr.2004, p. A2).

A razão não consegue penetrar em profundidade no mistério da fé, e o homem de razão, e não de fé, fica mergulhado nesse mistério, avaliou Norberto Bobbio pouco antes de morrer. Ele não se considerou nem ateu nem agnóstico. As várias religiões tentam interpretar o mistério da fé de vários modos, observou Bobbio.

O sentimento é quase o princípio da nossa vida autoconsciente. Elemento fundamental da construção da memória e da própria razão, o sentimento permite fixar a lembrança do bom e do mau e nos permite fazer escolhas mais inteligentes. Se só tivéssemos a emoção, a emoção viria e passaria; não haveria maneira de marcar a emoção. A alegria ou tristeza são emoções produzidas pelo nosso próprio corpo por alterações verificadas no mapa do cérebro. A alegria ou tristeza são estados do nosso corpo. Não se concebe nenhuma emoção sem a alteração do corpo. Lesões no cérebro impossibilitam a manifestação de emoções. O amor, uma construção cultural, é na realidade o sentimento decorrente da atração sexual, elemento totalmente corporal, observa Antônio R. Damásio, português radicado nos EUA, um dos principais neurocientistas do mundo (Folha de S. Paulo, São Paulo, 03.mai.2004, p. A12).

Hoje as nossas tristezas e angústias são resolvidas por meio da fé. Há um Deus, ao qual podemos pedir ajuda. Possivelmente em 2050, teremos conhecimento suficiente do funcionamento do cérebro para eliminar o dualismo corpo-mente, quando teremos de resolver as nossas tristezas e angústias com coragem, sem contar com a ajuda de Deus. A forma religiosa é uma das grandes invenções dos seres humanos para a resolução de seus problemas, conclui Damásio, autor de “Em busca de Espinosa”.

O impulso religioso, porque ajudava a criar grupos mais coesos, nos quais florescia o sentimento de fraternidade e solidariedade, se desenvolveu cedo na história dos hominídeos. A crença foi uma arma poderosa na luta contra adversários menos unidos e menos organizados, segundo David Sloan Wilson, americano, biólogo, autor de ´A catedral de Darwin: evolução, religião e a natureza da sociedade´ (Veja, São Paulo: Abril, n. 1.994, 07 fev. 2007, p. 79).

O ser humano tem um gene responsável pela espiritualidade e, também, com a função de produzir os neurotransmissores reguladores do temperamento e do ânimo das pessoas. Os sentimentos profundos de espiritualidade seriam resultado de uma descarga de elementos químicos cerebrais controlados por nosso DNA, de acordo com Dean Hamer, chefe do setor de estrutura genética do ´National Câncer Institute´, autor de ´O gene de Deus: como a fé está embutida em nossos genes´ (id.).

A espiritualidade acompanha o homem em sua evolução. O conceito de Deus surge em todas as sociedades humanas desde tempos imemoriais. O divórcio entre a fé religiosa e a ciência é um fenômeno recente, iniciado no Iluminismo, movimento surgido na França, defensor do uso da razão para explicar o mundo e o universo. As divergências se agravaram no século XIX com o teoria da evolução das espécies, quando Charles Darwin negou a criação bíblica (id.).