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ARTIGOS



GLOBALIZAÇÃO

O Brasil se inclui entre as 24 economias em desenvolvimento que mais se integraram à economia mundial durante os anos 90, conclui o BIRD no estudo intitulado “Globalização, Crescimento e Pobreza: Construindo uma Economia Mundial Inclusiva”, divulgado em 05.12.2001.

O grupo formado por essas 24 economias (nelas vivem 3 bilhões de pessoas) exibiu taxa média de crescimento do PIB “per capita” de 5% ao ano.

A globalização da economia mundial, de acordo com o BIRD, viveu três grandes ondas: 1) a primeira onda aconteceu entre 1870 e 1914 e foi marcada pelo rápido aumento da renda “per capita” global; 2) a segunda ocorreu entre 1950 e 1980 e aumentou a integração entre os países ricos e relegou aos pobres o papel de exportadores de produtos primários; 3) a terceira onda é a atual, a qual começou nos anos 80 e permitiu aos países em desenvolvimento aumentar, de 25% para 80%, a participação de produtos manufaturados em suas exportações.

O Brasil é uma economia fechada, explicou em 23.12.2001 o presidente Fernando Henrique Cardoso: “Se você compara a economia brasileira com as economias do mundo, a exportação nossa o que é ? US$ 60 bilhões para um PIB de US$ 600 bilhões, 10%. Na França é de 35%. Nos Estados Unidos, que é uma economia mais fechada também, deve ser de 17%, 18%, 20%. A nossa é bastante fechada, o mercado interno no Brasil tem um peso muito maior do que o externo.”

A globalização é mais um acontecimento psicológico que um acontecimento econômico, porque a globalização é, antes de mais nada, a aceitação, por praticamente todo o mundo de hoje, dos valores, aspirações, expectativas e estilo de vida da classe média ocidental como a “norma”, analisa Peter Drucker, o qual acrescenta: “Todo mundo hoje se confronta e compara com os padrões, valores e expectativas do mundo desenvolvido. Isso também vale, talvez mais ainda, para expectativas relacionadas a produtos e serviço: seu preço, sua qualidade, seu design e assim por diante.“

Joseph Stiglitz, norte-americano, Prêmio Nobel de Economia/2001, autor de “A Globalização e seus Descontentes”, conclui que três instituições governam o processo globalizador: o FMI, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial.

Observa ele: “Uma das razões pelas quais a globalização não tem funcionado da maneira como deveria é que as regras do jogo em nível global têm sido estabelecidas pelos países ricos.”

Comenta ele: “Os tratados de comércio internacional da OMC têm procurado criar uma agenda desequilibrada: pesados subsídios para produtos agrícolas e têxteis de países ricos e enormes barreiras comerciais para países pobres e em desenvolvimento, que têm suas vantagens competitivas anuladas nesses setores. Os países ricos têm insistido para que os países pobres e em desenvolvimento abram seus mercados para produtos industriais deles. Isso é injusto.”

Stiglitz critica o FMI: “Nos anos 90, os mercados emergentes criaram tremendas oportunidades para o sistema financeiro. Mas, por ter sido feita de modo indiscriminado, em vez de propiciar crescimento rápido, tal abertura gerou uma enorme instabilidade na Tailândia, por exemplo. Sei que o FMI acredita estar cumprindo a sua missão de promover a estabilidade global e de ajudar os países em desenvolvimento a alcançar um crescimento sustentável. Mas que o FMI não tem conseguido cumprir sua missão.” Stiglitz foi economista-chefe do Banco Mundial.

“A grande força da economia americana reside em seus recursos humanos, em seu sistema educacional e em suas instituições de pesquisa. Esses são os pilares que sustentam nosso crescimento econômico”, afirma Stiglitz, o qual observa: “Nos Estados Unidos todo mundo adora o livre-comércio, desde que essa liberdade não afete seus negócios.”

Stiglitz comenta sobre o sistema de mercado: “Por trás da ideologia do mercado livre, existe um modelo, frequentemente atribuído a Adam Smith, que sustenta que as forças do mercado levam a economia a resultados eficientes como se guiada por uma mão invisível. Um dos maiores feitos da ciência econômica moderna é demonstrar como e sob que condições a conclusão de Smith é correta. Acontece que tais condições são altamente restritivas. De fato, avanços mais recentes da teoria econômica demonstram que sempre que a informação é imperfeita e os mercados incompletos, o que significa dizer sempre, e especialmente em países em desenvolvimento, a mão invisível trabalha com maior grau de imperfeição.”

Prossegue Stiglitz: “Mesmo se a teoria da mão invisível de Smith fosse relevante para economias industrialmente avançadas, as condições requeridas não seriam satisfatórias em países em desenvolvimento. O sistema de mercado claramente requer direitos de propriedade e tribunais que os reconheçam, mas frequentemente tais instituições inexistem em países em desenvolvimento. O sistema de mercado requer competição e informação perfeita. Mas a competição é limitada e a informação está longe de ser perfeita (e mercados competitivos com um bom nível de funcionamento não podem ser estabelecidos da noite para o dia).”

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O Brasil comprou US$ 3,7 bilhões em mercadorias da China em 2004, ante US$ 2,1 em 2003, crescimento de 73%. Metade das roupas e mais de dois terços dos sapatos, brinquedos e aparelhos de DVD importados pelo Brasil foram originários da China. Empresas como Gradiente, Hering e Gulliver vendem produtos chineses com suas marcas. Esses movimentos são sintomas de transformações mais profundas em curso na indústria brasileira. A competição com a China obrigará as empresas de vários setores a rever suas estratégias. Em muitos casos, as perdas serão inevitáveis. Inicia-se uma nova fase do processo de reestruturação do tecido industrial brasileiro. A abertura comercial dos anos 1990 fez as empresas cortarem custos e buscarem eficiência. Depois, em 1999, a desvalorização do câmbio empurrou-as para o mercado externo e determinou o salto observado nas exportações nos últimos anos. Agora, grandes exportadores, como a Embraer, o grupo Gerdau e o grupo Votorantim, começam a investir em fábricas e canais de distribuição no exterior. O passo seguinte será imitar as multinacionais de países desenvolvidos e transferir linhas de produção para a China a fim de aproveitar as vantagens locais, comenta José Roberto Mendonça de Barros, da consultoria MB Associados (Valor, São Paulo, 09 maio 2005, p. A3).

O Brasil é o 52º (57º em 2003) colocado no ´ranking´ da globalização elaborado pela A. T. Kearney, com base em 2004, envolvendo 62 países, representativos de 96% da produção econômica e 85% da população mundial. O conceito de globalização avalia 12 quesitos (investimento estrangeiro direto, comércio internacional, participação em tratados internacionais e outros). O ´ranking´ é liderado pela Cingapura, seguida pela Suíça, EUA. A Rússia, China e Índia estão na 47ª, 51ª e 61ª posições, respectivamente (Exame, São Paulo: Abril, n. 879, 25 out. 2006, p. 37).

A ´Gerdau´ figura no 1º lugar no ´ranking´ das transnacionais brasileiras elaborado pela Fundação Dom Cabral e Columbia University, considerando os negócios mantidos em outros países (total de ativos de recursos humanos, a cadeia de valor, o cumprimento das regras de governança corporativa, a experiência internacional e os mercados de atuação), com base em 2005. A Construtora Norberto Odebrecht vem em 2º lugar, seguida da Companhia Vale do Rio Doce, Petrobras, Marcopolo, Sabó, Construtora Andrade Gutierrez, WEG, Embraer, Tigre, Saia e Aracruz Celulose (Gazeta Mercantil, São Paulo, 25 out. 2006, p. A-6).