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ARTIGOS



TRANSGÊNICOS

TRANSGÊNICOS - I - “Felizmente, o Brasil tem uma agronomia forte e uma ecologia científica, das quais pode desenvolver boas políticas”, observa em 24.11.2002 Jeffrey Sachs, economista, Universidade Columbia, o qual acrescenta: “Creio que a agrobiotecnologia deveria ser parte de um conjunto de estratégias que o Brasil pode introduzir para erradicar a fome. Seria um grande erro, em minha opinião, descartar novas formas de conhecimento. O Brasil precisa não só melhorar as tecnologias tradicionais, aprimorando as variedades de sementes, a fertilidade do solo e a produção, como também investir nas novas. Creio que os EUA, a China e a Índia farão grandes avanços em novas tecnologias baseadas em genética. O Brasil poderia estar entre os líderes mundiais nessa área.”

Prossegue Sachs: “Não creio que o Brasil possa ficar de fora da revolução biotecnológica agrícola simplesmente por medo de perder a Europa. Os europeus terão de acordar para esse assunto. Sua posição é dogmática, não científica. Não estou dizendo que o Brasil precisa converter toda sua produção agrícola tradicional em produção transgênica. É preciso haver testes, proteções e, principalmente, segregar os alimentos não transgênicos para fins de rotulagem e para garantir exportações à Europa.”

A União Européia exerce, desde 1998, uma moratória sobre novas aprovações de produtos geneticamente modificados e essa moratória está bloqueando exportações norte-americanas de milho e impedindo a introdução de novos produtos dos EUA no mercado europeu. O Brasil é o único grande exportador agrícola do hemisfério ainda a manter-se livre de transgênicos.

TRANSGÊNICOS – II - São espécies de animais e vegetais modificados, mas a rigor há uma distinção: os organismos transgênicos recebem material genético de uma espécie diferente, e os organismos geneticamente modificados (OGMs) recebem genes da mesma espécie à qual pertence. Essas técnicas surgiram 20 anos depois da descoberta da estrutura do DNA, ou seja, em 1973, quando Stanley Cohen e Herbert Boyer, norte-americanos, cientistas, conseguiram inserir um gene de sapo no DNA de uma bactéria, a fim de essa bactéria produzir a proteína de sapo contida naquele gene.

Há dois tipos de planta transgênica: 1º) a planta recebedora de um antídoto ao veneno: a soja “Roundup Ready”, da Monsanto, apelidada na Argentina de “soja Maradona”, se torna resistente ao herbicida “Roundup” (glifosato), e uma vez pulverizada não morre junto com as ervas daninhas combatidas; 2º) a planta produtora do próprio veneno (o veneno embutido na planta): o milho “Bt” recebe um gene com a receita para a produção de uma toxina da bactéria “Bacillus thuringiensis”, e o inseto, ao comer essa planta, terá seu sistema digestivo destruído por dentro.

A lavoura de soja em países como os EUA (54%) e a Argentina (100%) está dominada pelas plantas resistentes ao glifosato. A China e a Índia estão adotando versões “Bt” de milho e algodão.

Não se sabe como as plantas modificadas afetarão o ambiente e a saúde humana a longo prazo. No caso das variedades “Roundup Ready”, já surgiram ervas daninhas resistentes ao herbicida, e elas já se estão tornando um problema nos EUA. As plantas “Bt” poderão causar estragos indiscriminadamente nos insetos de uma região, e trazer perigo ao equilíbrio ecológico.

“Na comercialização de alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados, com presença acima do limite de um por cento do produto, o consumidor deverá ser informado da natureza transgênica desse produto”, dispõe o Decreto nº 4.680, de 24.04.2003, artigo 2º, mas o mercado vem ignorando essa regulamentação, alerta a imprensa (Valor, São Paulo, 29.mai.2003).

Os transgênicos, em relação aos produtos convencionais, têm um custo de produção de 25% a 30% menor e têm mais produtividade, esclarece João de Almeida Sampaio Filho, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Segundo ele, 61% das pessoas entrevistadas nunca ouviram falar de transgênicos, de acordo com pesquisa realizada pelo IBOPE em jan/2003.

A Argentina, considerada o segundo maior produtor de alimentos transgênicos, depois dos EUA, protestou contra as regras do Decreto nº 4.680.

O Parlamento Europeu aprovou, em 02.jul.2003, uma lei tornando obrigatória a rotulagem e a certificação de origem dos produtos geneticamente modificados. Está sujeito a essa regra todo produto com 0,9% ou mais de organismos geneticamente modificados.

Nos EUA, os produtos geneticamente modificados não são rotulados.