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ARTIGOS



EDUCAÇÃO & DESENVOLVIMENTO

No jogo da competitividade mundial, a má qualidade do ensino e sua incapacidade de entregar ao mercado os profissionais demandados pelas empresas é um dos grandes desafios das economias emergentes. A garantia de suprimento de pessoas qualificadas é um dos principais fatores pesados pelas empresas na decisão de investimento.

Cada vez mais as empresas comparam dezenas de países antes de realizar um investimento, e a disponibilidade de mão-de-obra qualificada é um dos itens prioritários.

A América Latina era, até a queda do Muro de Berlim (em 1989), uma espécie de ´only business in town´ (o único negócio na cidade). Com a queda do Muro, todo o Leste Europeu se transformou e, também, houve a abertura da Ásia. Ao longo da década 1980, as opções para os investidores mudaram radicalmente, avalia Joaquim Levy, vice-presidente de Finanças e Administração do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ex-secretário do Tesouro Nacional. (Valor, São Paulo, 29 ago. 2006, p. A16).

A baixa formação dos empregados afeta negativamente as decisões de investimento das 500 maiores empresas brasileiras, segundo as quais a falta de trabalhadores qualificados impede a adoção de novas tecnologias, de acordo com pesquisa realizada em parceria entre o Ibmec São Paulo e a ´London Business School´ (Exame, São Paulo: Abril, n. 877, 27 set. 2006, p. 21).

O Brasil sempre se preocupou em fazer política industrial, mas ignorou a formação de pessoas, o fator mais importante de desenvolvimento, assinala Naércio Aquino Menezes Filho, coordenador da pesquisa pelo Ibmec. Como resultado, as empresas estão perdendo produtividade (id.).

As linhas de produção da LG em Taubaté, no interior de São Paulo, montam 9 celulares por hora, enquanto as linhas em Pulsan, no interior da Coréia do Sul, produzem 15 aparelhos por hora. As duas unidades contam com os mesmos equipamentos e o mesmo número de funcionários, teoricamente dotados do mesmo nível de formação escolar, o ensino médio completo. Mas o operário coreano foi educado por um dos melhores sistemas de ensino público do mundo, e o operário brasileiro, por um dos piores, avalia Fábio Gurman, gerente de RH da LG. O poder de concentração, a capacidade de aprendizagem e a agilidade mental dos coreanos são impressionantes. Os brasileiros, embora se empenhem, precisam de mais treinamento, mais orientação e são dispersos, complementa Fábio Gurman (id.).

O emprego do século XXI requer habilidades mentais. Exige raciocínio rápido, capacidade de interpretação e de análise de informações, atributos esses só adquiridos com ensino de qualidade, explica Célio da Cunha, representante da UNESCO no Brasil para a área de educação. Mantido o passo atual, o Brasil demorará mais de 30 anos para alcançar o nível educacional hoje desfrutado pelas maiores economias, acrescenta Célio da Cunha. A China e a Índia fazem esforço hercúleo para educar e preparar parte de sua população para o mercado global (id.).

Quando maior o ritmo de crescimento das empresas, torna-se mais complicado encontrar pessoas qualificadas e mais oneroso treiná-las, diz Chieko Aoki, presidente da rede de hotéis Blue Tree.

O Brasil está perdendo a corrida da competição no mundo globalizado, alerta Jorge Paulo Lemann, acionista da Inbev e das Lojas Americanas. Estou aflito (aduz ele) com os baixos níveis educacionais brasileiros (id.).

Se o Brasil engrenar novo surto de crescimento, vai parar por falta de gente qualificada para o trabalho, prevê Marcos Magalhãeas, presidente da Phillips (id.).

A China, a Índia e a Coréia educam bem seus jovens. Enfrentamos a concorrência desses países. Se quisermos ter perspectiva de ocupar um lugar de destaque no mundo, temos de investir na qualidade do ensino público e manter as crianças e os jovens em escolas de qualidade, observa Luís Norberto Pascoal, presidente da rede de lojas de pneus DPaschoal e integrante do ´Compromisso todos pela educação´, movimento empresarial pelas reformas na educação (id.).

O baixo crescimento do Brasil nos últimos anos está diretamente associado à baixa qualidade do ensino, afirma Edward Glaeser, economista e professor da Universidade de Harvard. A educação é um dos motores do crescimento, e no Brasil esse motor funciona mal. Se nada mudar, vai ser impossível ter crescimento de verdade (id.).

A dificuldade em recrutar em larga escala seu bem mais precioso, o capital humano de boa qualidade, é obstáculo ao desenvolvimento. Muitas empresas no Brasil ficam meses com vagas em aberto pela incapacidade de encontrar trabalhadores de bom nível (id.).

O sistema de ensino do Brasil foi o pior colocado, atrás do da China, Índia, México e Rússia, em estudo realizado pelo Banco Mundial sobre as condições dos principais países emergentes de inserção na sociedade do conhecimento, considerada o estágio mais avançado do capitalismo (id.).

Além de afetarem a distribuição de renda e o crescimento pessoal dos indivíduos, as deficiências do Brasil na educação provocam, em relação a economias com as quais disputa o mercado global, perda de competitividade, assinala Alberto Rodrigues, especialista em educação do Banco Mundial e coordenador do estudo (id.).

Os progressos do Brasil na área educacional não são suficientes para a sustentação do crescimento numa economia globalizada, cada vez mais dependente de conhecimento e de inovação (id.).

O Brasil apresenta os piores resultados nos seguintes indicadores da área de educação (id):

1) taxa de analfabetismo: Brasil, 13%; China, 9%; México, 8%; e Rússia, 0,5% (melhor do mundo: Canadá, 0%);

2) média de anos de escolaridade da população: Brasil, 5 anos; China, 6 anos; México, 7 anos; e Rússia, 10 anos (melhor do mundo: EUA, 12 anos);

3) participação de mão-de-obra especializada na força de trabalho (técnicos e profissionais com curso superior): Brasil, 9%; China, não declara; México, 14%; e Rússia, 31% (melhor do mundo: Suécia, 38%);

4) repetência do ensino fundamental: Brasil, 21%; China, 0,3%; México, 5%; e Rússia, 0,8% (melhor do mundo: Coréia do Sul, 0,2%);

5) qualidade do ensino de ciências e de matemática (numa escala de 1 a 7 pontos): Brasil, 2,9%; China, 4,2; México, 3; e Rússia, 5,1% (melhor do mundo: Cingapura, 6,5 pontos).

Em 2003, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico identificou: 1) na 4ª série, 35% dos alunos matriculados eram praticamente analfabetos e mal sabiam calcular; 2) na 8ª série, menos de 10% dos alunos haviam adquirido competência para elaborar textos mais complexos. Em conseqüência, cerca de 75% dos adultos têm alguma deficiência para escrever, ler e fazer contas (id.).

No ensino superior, as universidades brasileiras são burocráticas, fechadas em si mesmas e não se planejam de acordo com as necessidades de mercado, avalia Carlos Monteiro, diretor da CM Consultoria, especializada em gestão para o ensino superior privado. Anualmente, 60% dos 4 milhões de universitários brasileiros estão matriculados em até dez cursos, voltados para carreiras saturadas, como Administração, Direito e Psicologia. Nos cursos técnicos, a situação não é muito diferente; a modernização existe, mas é lenta (id.).

A Universidade de São Paulo situa-se no 196º posto no ´ranking´ das instituições de ensino superior do mundo, elaborado pelo ´The Times´, jornal britânico (única presença brasileira no ´ranking´). Volume de pesquisas, número de citações em artigos e número de prêmios Nobel de cada instituição contaram pontos no levantamento. No Brasil, nunca ninguém foi agraciado com o prêmio Nobel. Em 96º lugar do ´ranking´, figura a Universidade Autônoma do México, com 3 ganhadores do prêmio Nobel (id., p. 28).

No Brasil, os mais pobres têm uma média de apenas 3,4 anos de escolaridade. Mais chocante para mim, entretanto, é 20% dos mais ricos terem apenas 10,3 de escolaridade. Uma elite com tão pouca instrução não será capaz de operar uma sociedade complexa, avalia Norman Gall, americano, jornalista. O Brasil emprega os recursos disponíveis de forma errada. Gasta com um aluno do curso primário 1/5 em relação à Grã-Bretanha, mas gasta com um aluno universitário duas vezes mais (Veja, São Paulo, n. 1941, 01 fev. 2006, p. 11).

A Lei nº 11.274, de 06 fev. 2006, alterou a Lei nº 9.394, de 20 dez. 1996 (diretrizes e bases da educação nacional), e ampliou de oito para nove anos a duração do ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade. O objetivo do ensino fundamental é a formação básica do cidadão.

O Brasil aparece em 16º lugar numa lista de 45 países com índice de repetência acima de 10% na 1ª a 4ª série, conforme divulgado pela ‘United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO)’. A lista é liderada por Gabão, com índice de repetência de 34%. O Brasil, com base em 2004, tem 13,6 milhões de alunos matriculados na 1ª a 4ª série, com 806 mil professores. A taxa brasileira de reprovação é de 21%. A repetência reduz as chances de um aluno completar a sua educação, afirma a UNESCO (Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 abr. 2006, p. C1).

Diminuiu o percentual de crianças de 5 e 6 anos fora da escola (esse percentual ainda é de 18,5%), de acordo com a ´Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD)´ de 2005, divulgada em 15 set. 2006. Mas o analfabetismo está caindo em ritmo mais lento (10,9% em 2005 contra 11,5% em 2004); subiu o percentual de jovens de 15 a 17 anos fora da escola (18,3% em 2005 contra 17,6% em 2003); cresceu o percentual da população de 5 a 17 anos ocupada (11,8% em 2005 contra 11,4% em 2004), ou seja, o trabalho infantil aumentou (8,8% dessa população não freqüentava escola); 79% dos brasileiros não utilizaram a internet.

24 set. 2006

Newton Freitas

Presidente do Conselho Diretor da Associação de Bancos do Estado do Ceará (ABANCE)

newtonfreitas@terra.com.br

ANALFABETISMO – O Brasil ainda tem 14.570.251 analfabetos em 2005, correspondentes a 11% da população com mais de 15 anos. Desse total, apenas 3,2% estudam; 48% já freqüentaram a escola; 69% trabalham ou procuram emprego; 40% moram na zona rural; e 38% têm mais de 60 anos (Folha de S. Paulo, São Paulo, 05 fev. 2007, p. C3).

CENSO ESCOLAR – O número de matrículas caiu de 56.471.787 em 2005 para 55.471.787 em 2006, -0,9% de variação. Em 2006, as matrículas estão assim distribuídas: 1) creche, 1.427.942; 2) pré-escola, 5.588.153; 3) ensino fundamental, 33.282.663; 4) ensino médio, 8.906.820; 5) educação de jovens e adultos, 5.616.291; e educação profissional, 744.690 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 fev. 2007, p. C3).

SAEB – O ´Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB)´ avalia, desde 1990, alunos de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio, por meio de uma prova de língua portuguesa e matemática (a avaliação varia de 0 a 500). São os resultados da prova de 2005: 1) 4ª série do ensino fundamental, média de 172,30 em português e 182,40 em matemática (188,3 e 190,6 em 1995); 2) 8ª série do ensino fundamental, média de 231,90 em português e 239,50 em matemática (256,1 e 253,2 em 1995); 3) 3ª série do ensino médio, 257,6 em português e 271,3 em matemática (290,0 e 281,9 em 1995). A nota média dos alunos caiu nas duas disciplinas analisadas no período 1995-2005 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 fev. 2007, p. C1 e C3).

ENEM – Implantado em 1998, o ´Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)´ destina-se a avaliar o desempenho do aluno com o ensino médio concluído ou em conclusão. Em 2006, os participantes do ENEM, num total de 3.743.379, obtiveram as seguintes médias nas provas: 1) participantes com o ensino médio concluído: a) parte objetiva, 38,14 pontos (escala de 0 a 100); b) redação, 53,40 pontos; 2) participantes com o ensino médio em conclusão: a) parte objetiva, 35,52 pontos; b) redação, 50,72 pontos. Muitas instituições de ensino superior utilizam o ENEM para compor a nota do processo seletivo. No vestibular da Universidade de São Paulo (USP), o ENEM pode chegar a valer até 20% do valor total da primeira fase da seleção (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 fev. 2007, p. C4).