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ARTIGOS



BRASIL: OBSTÁCULOS AO CRESCIMENTO

PAUL SAMUELSON, americano, Nobel de Economia de 1970 por ter lançado as bases da moderna análise econômica nas teorias de crescimento, consumo, comércio internacional e equilíbrio de preços e salários:

O milagre econômico da China reproduz um ciclo historicamente conhecido, por meio do qual tecnologia, conhecimento e técnicas de engenharia e administração são disseminados de países mais ricos para os de menor renda.

Os chineses poderão atingir um nível de renda equivalente ao dos países desenvolvidos.

O processo de equalização de renda entre países ainda continuará por mais tempo.

O Brasil ainda não se beneficiou desse processo de forma integral, apesar de surtos episódicos de crescimento.

O padrão político de democracias populistas na América Latina parece ter sido um fator inibidor do desenvolvimento.

O esforço dos povos mais pobres para atingir o nível de riqueza dos mais ricos antecede a II Guerra Mundial.

Você pode até não gostar do mercado, mas, na história de nosso tempo, ainda não apareceu nenhum modelo alternativo capaz de organizar grandes populações.

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ROBERT SOLOW, americano, Nobel de Economia de 1987, criador do modelo neoclássico de crescimento econômico com ênfase no progresso tecnológico:

O desafio do Brasil não é imitar a China, mas manter a estabilidade.

A renda ´per capita´ brasileira poderia experimentar um salto se boas políticas fossem perseguidas.

Os investidores, uma vez suspeitem de mudanças, tendem a refrear novos projetos.

Não se sabe por quanto tempo os chineses conseguirão conviver com salários em níveis tão baixos. Já começa a haver alguma tendência de aumento. Assim como a China, a Índia tira benefício do baixo custo de mão-de-obra.

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GARY BECKER, americano, Nobel de Economia de 1991 por sua contribuição à análise econômica dos fenômenos do comportamento humano:

O Brasil ainda resiste fazer as reformas executadas pelo Chile: abertura da economia, redução do estatismo e da burocracia, mercado de trabalho mais flexível.

Sobram no Brasil muita burocracia e regulamentação, em especial no mercado de trabalho.

Há ainda o ´capitalismo de compadres´: algumas famílias ou setores privilegiados conseguem favores e empréstimos do governo.

A China, a partir do fim dos anos 1970, começou a reformar o setor agrícola e, em seguida, a indústria. Hoje, o setor privado é predominante, a tributação é baixa, há menos burocracia e regulamentação.

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DOUGLASS NORTH, americano, Nobel de Economia de 1993, pioneiro no estudo do papel virtuoso das instituições na diminuição dos custos de transação, emperradores do desenvolvimento:

O Brasil é um país cheio de promessas e possibilidades, mas grupos de interesse souberam aproveitar-se do Estado e usam o sistema político em seu próprio benefício, em detrimento dos interesses da população como um todo.

Há uma barreira para a competição e para mudanças inovadoras e criativas.

Essas dificuldades impedem o Brasil de tornar-se um país de alta renda.

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ROBERT MUNDELL, canadense, Nobel de Economia de 1999, em razão de estudos revolucionários sobre as políticas fiscais e de câmbio em economias abertas, dos quais resultaram a criação do euro, dentre outras coisas:

O Brasil é um dos países mais fechados do mundo. Situa-se no 81º lugar no ´ranking´ sobre abertura econômica elaborado pela Heritage Foundation, com informações de 157 países. A característica comum a todos os países fechados, como o Brasil, é a baixa renda ´per capita´.

Não há como ter crescimento sem empresários, sem pessoas para iniciarem novos negócios. Vários países latino-americanos colocam barreiras ao surgimento de novas empresas.

O sistema tributário brasileiro também desestimula os investimentos.

Outro requisito para os investimentos é a estabilidade macroeconômica. Sem ela, não há crescimento duradouro.

A atração do investimento estrangeiro direto é fundamental para o crescimento porque traz consigo capital, tecnologia e mercados.

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JAMES HECKMAN, americano, Nobel de Economia de 2000 pela criação de métodos precisos de avaliação do sucesso de programas sociais, de educação e de leis trabalhistas:

O maior obstáculo ao crescimento é o excesso de burocracia e regulamentações. Essa característica representa um custo enorme para quem queira fazer negócios. Não há uma economia competitiva e flexível na qual as pessoas abram empresas, fechem empresas, contratem bons funcionários, demitam maus funcionários, contratem bons professores, demitam os professores ruins.

O legado de Margaret Thatcher talvez seja um pouco mais de desigualdade social, mas um crescimento econômico muito maior. Tony Blair manteve as mesmas políticas. Não houve reestatização, não apareceram novas estatais.

Na América Latina, há uma onda contrária às reformas, conforme podemos observar olhando para a Bolívia e a Venezuela. As boas lições nunca foram aprendidas de verdade. Para piorar, os políticos costumam ter uma visão de curto prazo. Querem eliminar a desigualdade dando dinheiro para os pobres. Essa política pode até reduzir a desigualdade no curto prazo, mas o investimento nas crianças e na qualidade da escola criaria bases mais sólidas para o aumento na qualidade de vida. O ensino básico é um pré-requisito para o crescimento. A diferença de classe, perpetuada principalmente porque só os ricos podem pagar por boas escolas, solapa o potencial de crescimento.

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EDWARD PRESCOTT, americano, Nobel de Economia de 2004 por ter comprovado a eficácia de políticas econômicas coerentes a longo prazo:

O Brasil conseguirá aproximar-se do padrão de vida dos países desenvolvidos somente se os brasileiros estiverem convencidos da aplicação de boas políticas ao longo de vários e vários anos. Não basta implementar as medidas corretas por um curto período.

O País não desenvolveu um sistema democrático baseado na propriedade privada e no consumo, integrado aos países avançados. A criação de uma sociedade privada, motor de qualquer ciclo de expansão sustentável, é fundamental para o Brasil.

Nenhum país cresce sem um sistema capaz de induzir a poupança.

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Depoimentos sobre as razões pelas quais o Brasil não cresce como a China e a Índia (Veja, São Paulo: Abril, n. 1.969, 16 ago. 2006, p. 86).