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ARTIGOS



A NOVA RIQUEZA DAS NAÇÕES

Os três pré-requisitos para a prosperidade das nações, isto é, as três condições elementares para a construção da riqueza, de acordo com os economistas, são: 1) paz e estabilidade; 2) disposição para o trabalho e união da população; 3) abundância de recursos naturais (os recursos naturais pavimentaram e ainda são muito importantes para o sucesso de muitos países, embora o Japão se tenha industrializado não uma, mas duas vezes no século XX e quase não dispõe de recursos naturais).

Mas o motor da prosperidade está mudando. Há profunda alteração no curso no mundo, ditada pela mudança na natureza da tecnologia.

A economia mundial está passando por duas grandes guinadas: 1) a transição histórica do capitalismo das ´commodities´ para o capitalismo intelectual; e 2) a globalização.

Quando Adam Smith formulou os fundamentos do capitalismo, qualquer nação produtora de valiosas ´commodities´ era considerada rica. Nos últimos 150 anos, todavia, os preços desses itens têm caído constantemente na média. Ao mesmo tempo, o capitalismo intelectual vem crescendo em valor e está-se tornando a fonte dominante de riqueza no planeta.

Além da alta tecnologia, o capitalismo intelectual envolve outros campos, como liderança, imaginação, capacidade de julgamento e análise, além dos ´softwares´, da arte e dos filmes. A inteligência artificial, mesmo as máquinas mais avançadas, ainda não alcança duas tarefas: 1) reconhecimento de padrões (os robôs podem ver, mas não entendem); e 2) senso comum (a água é molhada; os animais não gostam de sentir dor; as mães são mais velhas em relação às filhas). Assim, florescerão no futuro os postos de atividades a requererem mais senso comum, capacidade de julgamento e criatividade, como engenheiros de ´software´, comediantes, artistas e técnicos. Um ´advogado robô´ só tem chances de surgir num futuro distante.

A globalização deve ser enfrentada pelas nações com dois pré-requisitos:

1) educação da população (as pessoas devem aprender sobre as novas tecnologias); e

2) aprendizagem de fazer a transição da economia fincada nas ´commodities´ para o novo modelo, sustentado pelo capital intelectual, mediante a utilização das ´commodities´ de hoje para pavimentar a modernização da economia de amanhã.

O futuro é como um trem de carga cujo apito diz: ´internet, inteligência artificial, biotecnologia e nanotecnologia´.

Observações de Michid Kaku, professor de Física da Universidade da Cidade de Nova Iorque, autor de ´Visões do futuro: como a ciência revolucionará o século XXI´ e ´Hiperespaço` (´Veja, Edição Especial, Tecnologia´. São Paulo: Abril, n. 71, jul. 2006, p. 77).

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INOVAÇÃO - A capacidade de criação é um dos pilares das corporações centenárias ainda de pé. Todas essas corporações desafiaram as normas convencionais e não possuem mais, como fonte principal de renda, os produtos ou serviços à época de seu nascimento. A GE é excelente exemplo. Nasceu como empresa de energia, mas diversificou completamente seus negócios e hoje, dentre outras atividades, é uma das maiores instituições financeiras do mundo. Continua inovando e, mais recentemente, entrou na área de energia eólica e solar. A inovação não é algo a ser feito uma vez e pronto. O grande erro das empresas é não considerar a inovação como um processo contínuo, concluiu Watts Wacker, americano, consultor, especialista em inovação (Exame. São Paulo: Abril, n. 872, 19 jul. 2006, p. 130).

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P&D - O desempenho do Brasil em resultados de inovação está aquém do esperado, seja no tocante a patentes comerciais como a publicações cientificadas. Esse fraco desempenho em inovação deve-se parcialmente ao esforço insuficiente em pesquisa e desenvolvimento (P&D), de acordo com o estudo ´Sinopse sobre a inovação nos países: Brasil´ elaborado pelo escritório do economista-principal do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. O Brasil (acrescenta o estudo) também padece de ineficiências em seu Sistema Nacional de Inovação, refletidas numa baixa taxa de transformação de P&D em aplicações comerciais, explicada em parte pelo mesmo fator a afligir a região, ou seja, a fraca colaboração entre empresas privadas e pesquisadores de universidades, além da qualidade das instituições de pesquisa. O Brasil ainda parece sofrer a falta de escolaridade, e essa carência impede o País de tirar plenamente vantagem de seus esforços de inovação.

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SOFTWARE - O Brasil importa 71% dos programas de computação utilizados, de acordo com a pesquisa “O mercado brasileiro de ´software´”. Continuamos com os velhos problemas ligados à qualificação de mão-de-obra, tributação, certificação das empresas, legislação trabalhista e financiamento, alega Jorge Sukarie Neto, presidente da ´Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES)´. No ´ranking´ mundial de mercados internos, o Brasil alcançou a 12ª posição em 2005 (15ª em 2004). Do total de US$ 662 bilhões faturados com ´software´ e serviços em todo o mundo, o Brasil deteve 1,09% ou US$ 7,23 bilhões. O País conta com 7,7 mil empresas ligadas ao setor, sendo 94% de pequeno e médio porte (Valor, São Paulo, 29 jun. 2006, p. B2).

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O Brasil pode crescer aceleradamente e de forma consistente, mas será preciso mais uma rodada de reformas destinadas a destravar obstáculos como a taxa de juros e os impostos. Há exageros da regulação no mundo tributário e das leis trabalhistas. O intuito de proteger o trabalhador acaba falhando. (a informalidade é a medida de nossa hipocrisia). O governo pode fazer muita coisa na redução da despesa. Não há custo capaz de não ser reduzido em 30%, como afirmou Jorge Gerdau ao falar de empresas e também de governo. Mas a decisão de cortar requer coragem, observa Gustavo Franco, ex-presidente do BCB (Valor, São Paulo, 17 ago. 2006, p. D6).