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ARTIGOS



JURO & INFLAÇÃO

O crescimento brasileiro nos últimos anos foi fortemente impulsionado pelas exportações. Mas essa característica vem mudando gradualmente e hoje o crescimento também é impulsionado pela demanda interna, fortalecida com o aumento da renda e do emprego, avalia Henrique Meireles, presidente do BCB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 jun. 2006, p. B6)

O Brasil (continua Meireles) está crescendo a cerca de 4% ao ano em 2006, nível consistente com os emergentes de características similares, como o México, e superior à taxa dos países industrializados. A China e a Índia crescem a taxas maiores em razão de atravessarem uma fase diferente de desenvolvimento, ou seja, a fase de incorporação maciça de mão-de-obra agrícola no processo de industrialização (id.).

Mantendo a inflação na meta e reduzindo os juros reais, o BCB cria condições para diminuir a incerteza inflacionária e a volatilidade. A seqüência de inflações na meta, durante um longo tempo, permitirá à sociedade convencer-se da inexistência de risco de a inflação voltar. Nesse estágio, no qual estamos chegando, a pauta dos problemas da economia passará a ser a mesma da grande maioria dos países, ou seja, todas as questões indutoras do aumento da produtividade e de maiores taxas de crescimento (id.).

A questão fiscal é um desafio para qualquer país em qualquer tempo. Nos EUA, na Alemanha, na França, na Itália, no Japão, hoje a grande discussão é o aspecto fiscal, um desafio constante a envolver o quanto a sociedade deve gastar no presente e poupar para o futuro, conclui Meireles (id.).

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Estamos aproximando-nos de uma taxa de juros de equilíbrio da economia em relação à inflação, avalia Gustavo Loyola, ex-presidente do BCB (Valor, São Paulo, 29 jun. 2006, p. D2).

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A taxa de juros numa economia aberta cumpre dois papéis: 1) garantir o equilíbrio interno da economia, ou seja, assegurar a evolução da demanda e da oferta sem pressões inflacionárias significativas; e 2) influenciar o balanço de pagamentos. Durante muito tempo, tivemos taxa de juros superior à taxa necessária para calibrar o crescimento da economia com inflação sob controle. Hoje temos condições mais favoráveis do ponto de vista do balanço de pagamentos. Passamos de déficits  para superávits em conta corrente, avalia Afonso Bevilaqua, diretor de Política Econômica do BCB (Valor, São Paulo, 06 jul. 2006, p. A14).

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Todos os economistas concordam com a necessidade de manter a inflação estável no longo prazo, mas a forma de como deve atuar a autoridade monetária para atingir seu objetivo pode às vezes diferir fundamentalmente entre as duas correntes existentes: os ´monetaristas´ e os ´desenvolvimentistas´ (nos EUA, ´falcões´ e ´pombas´, respectivamente) (Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 jul. 2006, p. B2).

Muitos no mercado insistiram em classificar Ben Bernanke, novo presidente do FED, como um ´pombo´. Mas essa visão se mostrou errada, avalia Luiz Carlos Mendonça de Barros (id.).

Na realidade, Bernanke procura olhar a formação de preços na economia como o resultado de equilíbrio dinâmico entre oferta e procura nos mercados de bens e serviços e no mercado de trabalho, principal canal de transmissão de pressões inflacionárias em situações de aquecimento da economia. A política de juros deve ser calibrada de forma a evitar custos desnecessários em relação ao crescimento econômico. A elevação dos juros nos EUA, nos últimos 18 meses (reconheceu Bernanke em 19 jul. 2006), já colocou a maior economia do mundo em rota de crescimento menor, e esse comportamento deverá reduzir ao longo dos tempos as pressões inflacionárias (id.).