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ARTIGOS



INTRODUÇÃO À ECONOMIA, POR NILSON HOLANDA

"A economia é a ciência que estuda o comportamento humano com toda relação entre fins e meios escassos, que tem usos alternativos." Essa definição, de autoria de Leonel Robbins, é a preferida de Nilson Holanda, autor de "Introdução à economia", Petrópolis: Ed. Vozes, 8. ed., 2003, 848 p.

Outra definição destacada por Holanda é a de Rudiger Dornbusch: a economia é simplesmente o "estudo de como a sociedade decide o que, como e para quem produzir". São as três questões enfrentadas em qualquer tipo de sistema econômico, diz Holanda. Ele aponta os elementos básicos de qualquer sistema econômico: 1) o estoque de fatores (terra, trabalho e capital); 2) os agentes econômicos ou os tomadores das decisões (os consumidores, os agentes produtivos ou os empresários e o governo); 3) as empresas (unidades executoras das tarefas).

Prossegue Holanda:

Todos os sistemas econômicos têm os mesmos problemas a resolver, mas se distinguem em função do substrato político, social ou legal.

São sistemas econômicos: 1) o capitalista ou de economia de mercado (economia descentralizada, alicerçada em mercados competitivos à base de um sistema de preços, com objetivo de lucro); 2) o socialista ou de economia de comando (economias centralmente planificadas); e 3) o misto, uma combinação de mecanismos de mercado com acentuada intervenção governamental.

A teoria econômica abrange dois grupamentos:

1) a microeconomia ou teoria dos preços, compreendendo: a) teoria do consumidor (a curva da procura): explica a lógica do comportamento do consumidor (ele continuamente faz opções entre comprar e não comprar e atribui valor aos bens disponíveis no mercado); b) teoria da firma (a curva da oferta): explica a lógica do comportamento da firma (empresa ou produtor) e identifica os fatores determinadores da oferta de mercado, partindo de uma hipótese básica: o objetivo da firma é maximizar o lucro (desempenho empresarial); c) teoria da produção: a combinação ótima de insumos ou fatores (minimização de custos);

2) a macroeconomia, compreendendo: a teoria da renda nacional, a teoria do desenvolvimento, a teoria monetária, a teoria das finanças públicas e a teoria do comércio internacional.

São questões microeconômicas: a competição perfeita (grande número de compradores e vendedores e produtos idênticos ou homogêneos), o monopólio (uma só empresa ofertante), a competição imperfeita (a competição monopolística, com produtos diferenciados, e o oligopólio, com pequeno número de empresas ofertantes).

São questões macroeconômicas: crescimento, desemprego (representado pela taxa de desemprego: a relação entre pessoas involuntariamente desempregadas e a força de trabalho total, corporificada no conceito de População Economicamente Ativa - PEA), inflação (processo generalizado e persistente de aumento de preços, medido por deflatores implícitos e índices de preços), distribuição de renda, equilíbrio externo, crescimento demográfico.

Com o fim do feudalismo, desenvolveu-se, ao longo de 1613 a 1767, a doutrina do mercantilismo (associada ao nacionalismo e ao intervencionismo econômico). Ao redor de 1767, com o fim das monarquias absolutistas e a revolução industrial, nasceu a doutrina do liberalismo (associada ao individualismo e a ordem natural, em reação ao mercantilismo), consolidada por Adam Smith (1723 - 1790), fundador da escola clássica e também considerado o fundador da ciência econômica. O surgimento da burguesia industrial com a revolução industrial favoreceu a expansão do capitalismo (fé no mercado).

Os impactos sociais negativos do modo de produção capitalista abriram espaços para a crítica, da qual emergiram as correntes do socialismo (utópico; científico de Engels, Max e Lênin; trabalhistas na Inglaterra; social-democracia na Alemanha).

Em 1936, John Maynard Keynes (1883 - 1946) contestou a teoria clássica (equilíbrio automático de mercado) e propôs um comportamento ativista pelo governo ou de intervenção na economia (capacidade do governo para influenciar o mercado e atenuar as flutuações). Para Keynes, baseado na experiência da Grande Depressão, o sistema capitalista é, por sua própria natureza, instável, com tendência para o desequilíbrio e o desemprego.

Os problemas macroeconômicos podem ser avaliados sob dois enfoques: uma abordagem estrutural (perspectivas de longo prazo do desenvolvimento econômico) e uma abordagem conjuntural (perspectivas de curto prazo: as flutuações no nível da atividade econômica ou os ciclos econômicos, correspondentes aos movimentos simultâneos e regulares de expansão e contração dos principais agregados econômicos de um país, como o PIB, a taxa do desemprego, a inflação).

O Produto Interno Bruto (PIB) é o somatório de todos os bens e serviços produzidos pela economia de um país, em um determinado período, geralmente um ano. Quando a economia se encontra em recessão, ocorre o "hiato do produto" ou "gap": a diferença entre o produto potencial (o limite da capacidade produtiva) e o produto efetivo.

Para assegurar o equilíbrio interno e externo da economia, atenuando a instabilidade mediante a redução da amplitude dos ciclos ou das flutuações, o governo conduz as políticas de estabilização, sob a forma de políticas monetárias e fiscais, complementadas por políticas de rendas e políticas de comércio exterior.

Um dos graves problemas da economia brasileira - alerta Holanda - é a queda da taxa de investimento: de 23%, em 1980, chegou a cair para 15%, em 91/92, e situou-se em 19,7%, em 1999.

A "Introdução à economia" se divide em cinco partes: 1a. - Introdução e metodologia; 2a. - Problemas, questões e doutrinas econômicas, 3a. - Sistema econômico e oferta e procura; 4a. - Microeconomia; 5a. - Macroeconomia.