Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



PROJETO DE ESQUERDA

São os aspectos mais importantes de um possível projeto de esquerda na visão de Paul Singer, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP, pesquisador do CEBRAP, secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho (“A alternativa da esquerda”. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19.jun.2004, p. A3):

1) retomada do crescimento intenso no menor prazo; inexiste dilema entre crescimento e inflação, ao menos na generalidade descrita pelos neoliberais; enquanto houver ociosidade da força de trabalho e do capital físico, a aceleração do crescimento da economia reduz as pressões inflacionárias, porque a aceleração diminui os custos de produção, aumenta as economias de escala e permite a venda a preços menores; apenas quando a economia enfrenta pontos de estrangulamento, o ritmo de crescimento deve ser moderado para evitar o excesso de demanda e pressões sobre os preços para cima; o Estado deve esfriar a economia, mas ao mesmo tempo superar os pontos de estrangulamento no menor prazo;

2) a política fiscal e monetária deve ter por objetivo prioritário a geração de trabalho e renda, no menor prazo possível, pois os desempregados e os carentes não podem esperar (os neoliberais dizem perseguir o mesmo objetivo, mas no longo prazo; no longo prazo, porém, estaremos todos mortos, como disse Keynes);

3) o governo deve ser responsável pelo ritmo de crescimento econômico, pelo fomento da economia nas regiões mais pobres, pela redistribuição da renda como forma de luta contra a pobreza e pelo pleno emprego;

4) o Estado deve criar instrumentos necessários à implementação de programas de transferência de renda aos mais carentes; programas de provimento de capital a todos desejosos de empreender, sobretudo os pobres, mediante reforma agrária, entrega de empresas em crise aos empregados interessados em recuperá-las; programas de múltiplas formas de microcrédito e finanças solidárias;

5) controle dos fluxos de capital para dentro e para fora do país, a fim de dar ao Estado independência em relação aos detentores de capital líquido; não há economia capaz de resistir a uma fuga de capitais de grande proporção; não instituir esse controle equivale a conferir ao grande capital, nacional e transnacional, poder de veto contra qualquer política pública considerada prejudicial a seus interesses;

6) os poderes públicos federais, estaduais e municipais devem apoiar a economia solidária como instrumento de desenvolvimento das comunidades e de democratização da economia; nos empreendimentos solidários não há divisão de classes porque os detentores de capital e os executores do trabalho são os mesmos.