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ARTIGOS



CENÁRIOS PARA 2006

O desempenho da economia brasileira em 2006, deverá ser melhor em relação a 2005, pelo menos em termos de crescimento (o PIB deverá crescer de 3,5% a 4,0% contra cerca de 3% em 2005), favorecido por juros declinantes, aumento da renda e dólar comportado, bem como de inflação (medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, ela deverá ficar próxima da meta de 4,5% contra cerca de 5,5% em 2005), favorecida pelo câmbio valorizado e pela expectativa de reajuste modesto dos preços administrados (Valor, São Paulo, 22 nov. 2005, p. F1).

Nas contas externas, o saldo da balança comercial, embora sem revelar a exuberância de 2005 por causa do dólar barato, deverá continuar robusto e chegar no patamar de US$ 35 bilhões contra US$ 42 bilhões em 2005 (as exportações deverão atingir US$ 122 bilhões em 2006). O saldo da conta corrente deverá encolher de US$ 13 bilhões, ao final de 2005, para US$ 6,30 em 2006. O investimento estrangeiro direto (IED) deverá permanecer estável, na casa de US$ 16 bilhões, o mesmo de 2005 (id.).

O dólar deverá ser cotado entre R$ 2,30 a R$ 2,45, ao final de 2006, contra R$ 2,20 a R$ 2,30, ao final de 2005. A oferta de dólar continuará abundante. A valorização do real foi longe demais, mas não será suficiente para comprometer o resultado das contas externas em 2006 (id.).

Com as contas externas e fiscais em ordem, a disputa eleitoral de 2006 não assusta os analistas. O quadro para 2006 é relativamente róseo, baseado no pressuposto de continuidade de cenário externo favorável a mercados emergentes. De qualquer forma, a economia brasileira está mais preparada para enfrentar eventuais turbulências internacionais, devido à situação confortável das contas externas (id.).

O crescimento de 3% do PIB é razoável, se considerada a nossa história recente, mas é insuficiente em relação a outros emergentes, assinala Mendonça de Barros. A golpes de crescimento de 3%, ou um pouco mais, o Brasil não reduzirá a pobreza nem em 30 anos, acrescente ele (id.).

A produção industrial deverá crescer 4,5% em 2006 contra 3,69% em 2005 (Relatório de mercado, Brasília: BCB-Gerin, 18 nov. 2005).

A taxa SELIC, os juros básicos da economia, deverão cair para 18,0%, ao final de 2005, e chegar a 15,50%, ao final de 2006 (id.).

A dívida líquida do setor público, em percentual do PIB, deverá experimentar uma redução de 51,60% para 50,70% (id.).

O futuro chegou

A revolução institucional no Brasil, iniciada a partir da década de 1980, constou de um conjunto de mudanças na política monetária e fiscal. Essas mudanças, aliadas à abertura da economia a partir de 1990 e à vitória sobre a inflação a partir de 1994 com o Plano Real, resultaram num País de instituições sólidas, tanto na política quanto na economia, e pronto para entrar num longo ciclo de crescimento sustentado.

Nos últimos 20 anos, o País domou a inflação, integrou-se à economia mundial, aprovou uma lei de responsabilidade fiscal e ainda conseguiu completar a transição democrática. Várias distorções da CF de 1988 foram eliminadas por meio de emendas, viabilizadoras do fim dos monopólios estatais, da privatização e investimentos privados em telecomunicações, energia elétrica e petróleo, além da reforma da previdência.

O avanço foi extraordinário, embora seja preciso avançar mais, conclui Maílson da Nóbrega em seu livro “O futuro chegou” (Veja, São Paulo, 23 nov. 2005, p. 50). Nóbrega é defensor da Nova Teoria Institucional, consagrada por Douglass North, Prêmio Nobel de Economia de 1993.