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ARTIGOS



VINHO & CARVALHO: UM CASAMENTO QUASE PERFEITO

Os vinhos de certo nível qualitativo são criados em barricas de carvalho, nas quais eles permanecem em progressão até a decisão do engarrafamento pelo produtor. As barricas de carvalho ajudam a “arredondar” o gosto do vinho.

A fabricação das barricas exige uma madeira bem seca, e a secagem ideal é a de três anos ou mais, ao ar livre. A barrica é queimada por dentro e de forma lenta, aspecto muito importante. São usadas três formas de tostagem: 1) se mais queimada, o vinho terá um “bouquet” de tostado, lácteo, baunilha e caramelo, bem assim poderá esconder alguns de seus defeitos; 2) a queimada leve poderá dar origem a vinhos mais frutados, porém mais “redondos”; 3) a queimada ideal é a média.

Os belos vinhos têm a mágica do carvalho também nas rolhas de cortiça. A cortiça é extraída do sobreiro (“chêne-liège”), árvore da família do carvalho. Os vinhos chamados “bouchonnés”, hoje muito comuns, são os com gosto de rolha (até 6% ou 7%).

Nos países do “Novo Mundo” (Argentina, EUA, Chile, Austrália, Nova Zelândia), numa parte importante da produção, as barricas são substituídas por lascas de carvalho, um meio mais econômico e de resultados aparentemente “similares”, apreciado em especial pelos bebedores principiantes.

As lascas podem ser incorporadas ao vinho no momento da fermentação alcoólica, favorecendo uma melhor extração dos taninos, ou no momento da criação (“élevage”), quando tende a trazer mais frescor aromático ao vinho.

A técnica de agregar lascas de carvalho tem outra grande vantagem, ou seja, esconde a falta de qualidade, de concentração e de maturidade das uvas. Uma das principais condições para produzir um grande vinho é colher uvas maduras e sadias.

Na França, apenas para os “vins de pays”, a categoria mais inexpressiva dos vinhos franceses, a regulamentação permite o uso de lascas. A utilização do sistema de lascas em seus vinhos, segundo os franceses, poderá transformar a bebida também num vinho-padrão, de gosto mundializado, globalizado, com tendência a ser um produto industrial.

Além do sistema de lascas, começa a ser desenvolvida a técnica de colocar tábuas (evidentemente de carvalho), “staves” em inglês ou “douelles” em francês. As tábuas, de 1 metro por 5 centímetros, com 0,7 milímetros de espessura, são queimadas de forma similar às barricas (leves, médias ou fortes).

A vantagem das tábuas é possibilitar a micro-oxigenação. Esse procedimento permite arredondar a estrutura tânica, assim como melhor dominar o “bouquet”. Um vinho bastante micro-oxigenado ficará em condições de ser consumido praticamente quase após seu engarrafamento.

A criação dos vinhos em lascas é bem mais rápida (apenas um par de meses). No caso de tábuas, é preciso um mínimo de quatro ou cinco meses para sentir os primeiros efeitos.

Qualitativamente, o vinho criado com lascas ou tábuas não chegará nunca perto daquele criado em barricas. O vinho-produto, trabalhado com lascas ou tábuas, têm vida curta, uma vez aberta a garrafa. Como a bebida “morre” velozmente, torna-se aconselhável bebê-la de forma rápida. Já o vinho criado em barricas, uma vez aberta a garrafa, comporta-se diferente. Ele cresce em sabor e em “bouquet”, ficando cada vez mais complexo.

No Novo Mundo, também existem “winemarkets” produzindo ótimos vinhos, criados em barricas. Neste caso, os vinhos resultam tão caros (e, às vezes, até mais caros) quanto os europeus, conclui Jacques Téfois, consultor de vinhos (Gazeta Mercantil, São Paulo, 11 out. 2005, p. C-8).