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ARTIGOS



TEORIA DOS JOGOS - I

A investigação dos jogos de azar induziu os matemáticos a desenvolverem a teoria das probabilidades, a partir de 1494 com Luca Paccioli. Na década de 1920, os jogos de salão (como o pôquer e o xadrez) começaram a interessar os matemáticos.

John von Neumann, húngaro naturalizado americano, foi o primeiro a fornecer a descrição matemática completa de um jogo e a provar um resultado fundamental (teorema minimax). Em 1928, ele sugeriu a aplicação da teoria dos jogos na economia.

O principal problema da economia clássica é o comportamento humano: “Como será que o ‘homo economicus’, absolutamente egoísta, vai agir sob determinadas condições externas?”, questiona Von Neumann.

Ao contrário das previsões astronômicas, as previsões econômicas têm a capacidade peculiar de mudar o resultado, observou Oskar Morgenstern, autor do livro “Previsão Econômica”. Diz ele: “Preveja uma escassez e os comerciantes e consumidores reagirão; o resultado é uma indigestão.”

A teoria dos jogos utiliza os jogos como cenários adequados para o exercício da racionalidade humana. Ela permitiu a sistematização do comportamento humano racional. Pessoas racionais sempre compreendem claramente suas preferências e tomam suas decisões de acordo com essas preferências, após analisadas as informações disponíveis.

Uma nova teoria de jogos era “o instrumento apropriado para se desenvolver uma teoria de comportamento econômico”, concluíram von Neumann e Morgenstern no revolucionário livro “The theory of games and economic behavior”, de 1944.

O problema mais importante da nova teoria era explicar como as partes chegavam a um acordo para dividir um bolo. Essa divisão dependia do problema da barganha.

Coube a John Nash, Nobel de Economia de 1994, em 1950, não só resolver o problema da barganha, mas também enunciá-lo de maneira simples e precisa, assim como mostrar ser possível obter uma solução única. Nash começou com a seguinte pergunta: “Que condições razoáveis uma solução qualquer (qualquer divisão) tem de satisfazer ?”

A teoria dos jogos se propõe a equacionar, por meio da matemática, os conflitos de interesse a acontecerem a todo instante na sociedade. Esses conflitos decorrem da tendência entre os indivíduos (jogadores) de maximizar o ganho individual. O ganho individual é racional para cada indivíduo, mas determina um resultado irracional para o grupo (“tragédia dos comuns”).

O governo e sociedade podem estabelecer uma “estratégia de equilíbrio”, na qual os interesses deixam de ser conflitantes porque é vantajoso para todos cooperar, concluiu Nash.

Na crise energética de 2000, o governo brasileiro adotou uma “estratégia de equilíbrio” ao instituir sobretaxas individuais e cortes de fornecimento (regras, incentivos e punições). A obrigação de economizar energia não ficou diluída entre todos. Cada cidadão teve uma responsabilidade individual. O mais racional foi colaborar. O governo evitou uma “tragédia dos comuns”.

Na década de 1970, um grupo de economistas, conhecido como “Polícia da Teoria”, começou a questionar o modelo racional e a verificar se os investidores estão obedecendo ou não às leis do comportamento racional.

Baseado na constatação segundo a qual a mescla do racional com o nem-tão-racional é um mercado de capitais cujo desempenho está longe do desempenho coerente previsto pelos modelos teóricos, o grupo “Polícia da Teoria” criou um novo campo de estudos chamado de “finanças comportamentais”. Esse grupo elaborou uma lista dos “comportamentos anômalos” (comportamentos que violam as previsões da teoria racional).

No filme “Uma Mente Brilhante”, de Ron Howard (2001), Russell Crowe interpreta John Nash.