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ARTIGOS



GESTÃO CIENTÍFICA DOS INVESTIMENTOS

O ponto mais significante do desenvolvimento dos mercados financeiros depois da Segunda Grande Guerra foi a crescente importância dos chamados investidores institucionais, representados principalmente pelos fundos mútuos e fundos de pensão (Valor, São Paulo, 19 ago. 2005, Fim de Semana, p. 12).

Em 1940, os fundos mútuos eram parte relativamente pouco importante da cena dos investimentos americana, com 300 mil cotistas e US$ 450 milhões em ativos sob gerenciamento. Em 1967, o total de cotistas dos fundos mútuos havia crescido para 3,5 milhões e o total de ativos, para US$ 40 bilhões (id.).

Modelos matemáticos e estatísticos passaram a ser importante instrumento para ajudar os gestores dos fundos e os bancos de investimento. A gestão de ativos ganhou caráter mais científico (id.).

Henry Markowitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1990 em conjunto com William Sharpe e Merton Miller, foi um dos pioneiros na criação de um modelo matemático/estatístico para medir o efeito da diversificação no risco total de uma carteira de ativos. A partir do modelo de Markowitz, publicado inicialmente em 1952, nasceu o Modelo de Formação de Preços de Ativos Financeiros (“Capital Asset Price Management – CAPM”) (id.).

Segundo o CAPM, os riscos específicos de cada ativo podem ser anulados pela diversificação ampla e eficiente das carteiras, de acordo com o modelo de Markowitz. Quanto maior o risco de um ativo, maior o retorno exigido, comprova matematicamente o CAPM, explica Edson Ferreira de Oliveira, doutor pela USP e Makenzie (id.).

No modelo Markowitz, os preços de duas ações de duas diferentes empresas do setor de aço tendem a subir quando o preço do aço sobe e vice-versa. Ter essas duas ações na carteira significa agregar risco no modelo Markowitz. Já o preço de uma ação de empresa do setor de consumo pode subir mesmo com a queda no preço do aço, e sua presença na carteira reduz o risco total (id.).

Jack Treynor, matemático, juntou aos ativos de risco das carteiras de mercado os ativos livres de risco, como, por exemplo, os títulos do Tesouro dos EUA. Esse modelo de Treynor criou a fronteira geral de investimento, onde se encontram as carteiras mais eficientes e equilibradas de todas, de maior índice de Sharpe, ou seja, com maior prêmio por unidade de risco (id.).

Derivativos são contratos financeiros destinados a permitir a transferência de riscos sem a necessidade de transferência de recursos. A opção é um tipo de derivativo. É um contrato financeiro pelo qual uma das partes dá à outra o direito de comprar ou vender um ativo no futuro a determinado preço (id.).

No final dos anos 1960, Fischer Black e Myron Scholes desenvolveram a fórmula do cálculo do prêmio de uma opção (fórmula Black-Scholes), uma das mais importantes fórmulas usadas no mercado financeiro. Essa fórmula mudou a cara do mundo das finanças ao sintetizar raciocínios complexos numa equação simples. Abriu caminho para a enorme expansão dos mercados de derivativos e das atividades dos fundos mútuos. Hoje existem fórmulas mais sofisticadas (id.).

Black (1938 – 1995) tem sua biografia no recém lançado livro “Fischer Black and the revolutionary idea of finance”, de autoria de Perry Mehring (EUA: Wiley) (id.).

Scholes é hoje sócio de uma administradora de recursos, a “Oak Hill Platinum Partners”, com US$ 1,5 bilhão de ativos. Sofreu perdas de dinheiro e reputação com a quebra em 1998 do “Long Term Capital Management (LTCM)”, do qual era sócio (Black recusou-se a participar como sócio do LTCM alegando excesso de risco). Os gestores do LTCM se apoiaram em demasia no modelo de cálculo de perdas chamado “Value at Risk (VAR)”, baseado no comportamento dos preços no passado, explica Scholes. Mas o modelo não passou pelo teste prático da moratória da Rússia. O sistema de correlações entre ativos utilizado no VAR não funciona quando os tempos estão muito caóticos. A partir da crise do LTCM, o mercado passou a não apoiar-se tanto em VAR e dar mais atenção aos modelos de gerenciamento de risco (Valor, São Paulo, 19 ago. 2005, Fim de Semana, p. 16).

Hoje os fundos da “Oak Hill Platinum Partners” operam com contratos de “swaps” (troca de indexadores) e de opções. Tentamos entender o valor correto de uma ação ou de um instrumento de dívida e, depois, buscamos entender a razão para o preço não refletir esse valor, esclarece Scholes. Compramos os ativos considerados subvalorizados e tentamos proteger o risco dos ativos em relação aos quais não conseguimos entender o valor, acrescenta (id.)

Os fundos de investimento existem desde o século XIX. O primeiro fundo foi criado na Bélgica e, logo depois, surgiram na Holanda, França e Inglaterra. O “Massachusetts Investor Trust”, o primeiro fundo nos EUA, ainda em atividade, iniciou suas operações em 1924. Administrado pela “International Basic Economic Corporation (Ibec)”, uma empresa do grupo Rockefeller, o Fundo Crescinco, o primeiro fundo no Brasil, surgiu em 1957.

Cerca de 2,4 milhões de brasileiros investem em fundos atualmente (pode variar entre 1,6 milhão a 3 milhões, de acordo com a margem de erro da pesquisa). O investidor é predominantemente das faixas A e B, sendo 53% da classe A (Notícias ANBID, n. 90, jun. 2005, Encarte).

Os principais objetivos do investidor brasileiro são: 33% investem por segurança, para emergências; 30% para manter o valor e usar em caso de necessidade; 20% para realizar um projeto ou comprar algo; 11% para deixar para os filhos; 5% para a velhice/aposentadoria.

O Brasil tem 5.746 fundos de investimento e 1.455 administradores de carteira (“asset”), com base nos dados da CVM em 09 ago. 2005. Além das companhias abertas, fundos de investimento e administradores de carteira, a CVM regula, dentre outras, as atividades do analista de valores, agente autônomo e auditor independente.