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ARTIGOS



MAURÍCIO DE NASSAU & FRANS POST

Palecete em estilo clássico localizado no centro de Haia, Holanda, construído no século XVII, a casa de Maurício de Nassau (Johan Maurits van Nassau Siegen, 1604 -1679), governador do Brasil holandês de 1636 a 1644, transformou-se em 1822 no museu denominado “Gabinete Real de Pinturas Mauritshuis” (“Koninklijk Kabinet van Schilderijen Mauritshuis”). Projeto encomendado aos arquitetos Jacob van Campen e Pieter Post, a casa era conhecida como a Casa do Açúcar (“Suikerhuis”), dadas as ligações da própria construção (construída com madeira do Brasil) e de seu proprietário com a riqueza trazida pelos holandeses de suas possessões brasileiras (Gazeta Mercantil, São Paulo, 12 ago. 2005, Fim de Semana, p. 1).

Ao longo da história, o museu Mauritshuis especializou-se em colecionar o “crème de la crème” da idade áurea da pintura holandesa. Contém quadros dos inquestionáveis mestres Vermeer, Rembrant, Hobbema e Frans Hals, assim como de mestres da arte flamenga (hoje Bélgica), como Van Dyck e Rubens. Conhecida também por “museu íntimo”, a Mauristhuis é considerada “o maior dos pequenos museus do mundo e o menor dos maiores museus do mundo”. A coleção da Mauristhuis é composta de pinturas produzidas na Holanda e na Flandres dos séculos XVI e XVII. Eram pinturas destinadas a casas particulares e não a prédios públicos ou a museus (estes inexistentes à época), explica Frederik Jan Duparc, diretor da Mauristhuis, a partir de 1991 (id.).

Uma das missões da Mauristhuis é honrar Maurício de Nassau, uma das maiores figuras da história holandesa, tipo de homem do Renascimento com grande paixão por muitos campos do saber, interessado em cartografia, artes, arquitetura, biologia, astronomia, astrologia, medicina e muito mais. Viveu sete anos no Brasil e para o qual também muito contribuiu. Organizou no Recife o primeiro Parlamento, construiu a primeira sinagoga, o primeiro observatório astronômico do Novo Mundo, observa Duparc (id.).

Rembrant e Vermeer foram contemporâneos e igualmente importantes, os verdadeiros grandes mestres da pintura da idade áurea holandesa. Rembrant foi por muito tempo o número um, mas nos últimos dez anos a popularidade de Vermeer cresceu e hoje, pode-se dizer, eles se igualam. Após o filme “Moça com brinco de pérola” (título original: “Girl with a pearl earring”; direção: Peter Webber; ano: 2003), baseado em romance sob o mesmo título, de autoria de Tracy Chevalier, de 1998 (lançado no Brasil em 2002 pela Bertrand Brasil), o quadro a “Moça”, de Vermeer, tornou-se a grande atração da Mauristhuis, embora o seu acervo possua outros belos quadros de Vermeer (são conhecidos 35), dentre os quais “Vista de Delft”, o meu favorito, diz Duparc (id.).

Frans Post, um dos membros da equipe de artistas e cientistas trazida ao Brasil por Maurício de Nassau em 1637, foi o primeiro artista europeu a pintar a paisagem brasileira. Parte do novo desenvolvimento da arte paisagística holandesa, iniciado por volta de 1600, Frans Post não é o melhor artista dessa arte e não se equipara a um Hobbema ou Ruisdael, mas é um bom artista, avalia Duparc. Soube Frans Post traduzir muito bem em suas telas, de um modo muito fresco e convincente, o tipo de paisagem totalmente desconhecido até então. Os quadros pintados durante a sua permanência no Brasil (dos quais só sete de dezoito foram localizados até hoje) têm o grande mérito de deixar transparecer o deslumbramento sentido ao chegar ao mundo completamente novo e desconhecido (id.).

Falsificações

Nos anos 1930 a 1940, Van Meegeren forjou quadros de Vermeer, um dos quais vendido ao nazista Herman Goering. Hoje esses quadros seriam facilmente reconhecidos como falsos, garante Duparc. Hoje sabe-se os pigmentos conhecidos na época. Por exemplo, se num quadro supostamente de Rembrant for utilizado um determinado tom de azul, reconhece-se imediatamente, pelo pigmento não conhecido no século XVII, não poder o quadro ser de Rembrant. Há também novas técnicas fotográficas e de raio X de imenso valor para a história da arte. Essas técnicas podem revelar a existência de um desenho por trás de uma pintura e podem possibilitar o acompanhamento do processo de criação de um determinado quadro, além das mudanças efetuadas pelo artista ao longo do caminho, etc. Mas provar ser um determinado quadro de Rembrant ou de Vermeer, contemporâneos, é, na verdade, impossível. Podemos provar ser um quadro do século XVII. A data do painel de madeira do quadro pode ser estabelecida pelo corte da árvore. Todas as técnicas ajudam, mas nenhuma delas é prova final da autenticidade de um quadro (id.).

Barléu

Considerada a primeira tentativa de investigação científica sistemática sobre a história natural e política do Brasil, a obra de Gapar Barléu (1584 – 1648) denomina-se “História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil e noutras partes sob o governo do ilustríssimo João Maurício, conde de Nassau” (Amsterdã: Jan Blaeu, 1647).

A edição original completa compõe-se de 55 pranchas, executadas pelo pintor Fran Post e outros artistas da expedição, e possui grande valor bibliográfico pela sua raridade (são conhecidas apenas 48 exemplares em todo o mundo).

Barléu acompanhou o conde Maurício de Nassau durante os oito anos de seu governo em Pernambuco, de 1637 a 1645, e coordenou o trabalho de pintores, botânicos, engenheiros e cartógrafos, com a finalidade de registrar a geografia, a geologia, a flora, a fauna e a etnografia da região ocupada pelos holandeses.

Dentre os desenhos reproduzidos no livro de Barléu, destaca-se, sob o título “Siará”, a vista aérea do Forte de São Sebastião, edificado à margem do rio Ceará, inaugurado em 20 jan. 1612 por Martim Soares Moreno, português, nomeado em 1619 capitão-mor.

Moreno é considerado o fundador do Ceará, e a data de 20 jan. 1612 tem-se como o marco de sua fundação.

O comando da 10ª Região Militar, ou Região Martim Soares Moreno, mantém sua sede no forte intitulado Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, denominação adotada a partir de 1665 quando os holandeses entregaram o forte aos portugueses após a derrota sofrida em Pernambuco. Matias Beck, holandês, fundou o forte em 1648, o primeiro baluarte de defesa do litoral cearense e berço da cidade de Fortaleza.

O Brasil na corte do rei Luís XIV

Inaugurada em 29 set. 2005 no Museu do Louvre, em Paris, a mostra “O Brasil na corte do rei Luís XIV” (Veja, São Paulo, n. 1.915, 05 out. 2005, p. 104).

O núcleo da mostra são 7 dos 160 quadros pintados por Post ao longo de sua vida. Esses 7 quadros (4 pertencentes ao Museu do Louvre; um ao empresário pernambucano Ricardo Brennand; um ao Museu Mauritshuis; e um ao empresário venezuelano Gustavo Cisneros) são o remanescente conhecido dos 27 quadros presenteados por Maurício de Nassau ao rei Luís XIV, o rei Sol, na sua última ação diplomática (id.).

Os 27 quadros, criados entre 1637 a 1644, período no qual Nassau comandou a ocupação holandesa no Brasil, foram as primeiras imagens produzidas no Novo Mundo. Tais quadros, os únicos pintados no Brasil, destinavam-se a mostrar na Europa a paisagem, a flora, a fauna e a gente do Novo Mundo (id.).

O mecenato de Nassau também tinha por objetivo buscar prestígio e recursos junto à Companhia das Índias Ocidentais e aos governos europeus, razão pela qual ele patrocinou a vinda ao Brasil de artistas como Post e Albert Eckhout e cientistas como Georg Markgraf e Willem Piso, autores da “História natural do Brasil” (id.).

Além dos 7 quadros pintados no Brasil, a mostra “O Brasil na corte do rei Luís XIV” expõe 6 pinturas da fase européia de Post; 18 gravuras criadas por ele para o livro “História dos feitos recentemente praticados no Brasil”, de Gaspar Barleus; um exemplar de 1647 desse livro (encomendado por Nassau para divulgar suas façanhas no Novo Mundo); e 9 cópias de quadros de Post feitas a guache no século XVIII (id.).