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ARTIGOS



INVESTIMENTO INTELIGENTE

O investimento inteligente no mercado de ações deve considerar o tripé: 1) o sr. Mercado; 2) o princípio da margem de segurança; 3) o princípio do círculo da competência.

1) Sr. Mercado

O sr. Mercado, um sujeito temperamental, propenso a maníacas oscilações de humor, de alegria e de desespero, é seu sócio hipotético numa companhia fechada. Ele aparece diariamente na empresa e oferece um preço pelo qual comprará a sua participação ou pelo qual lhe venderá a dele. O sr. Mercado tem problemas emocionais incuráveis. Às vezes, o sr. Mercado se sente eufórico e consegue ver somente os fatores favoráveis do negócio. Quando está nesse humor, ele oferece um preço muito alto para a compra de sua participação. Outras vezes, o sr. Mercado está deprimido e só vê dificuldades pela frente, tanto para o negócio como para o mundo. Nessas ocasiões, ele oferece um preço muito baixo para a compra de sua participação. Quanto mais maníaco-depressivo o comportamento do sr. Mercado, melhor para você. Se ele aparecer algum dia com um humor particularmente irracional, você tem toda a liberdade para ignorá-lo ou tirar vantagem dele, mas será desastroso se você vier a submeter-se à sua influência. Você só se encaixará no jogo do sr. Mercado se você, em relação a ele, souber melhor entender e avaliar o negócio. Um investidor obterá êxito pela união de bom juízo empresarial com a capacidade de isolar seus pensamentos e comportamento das emoções supercontagiosas do mercado.

2) Princípio da margem de segurança

O segredo do investimento sólido em três palavras: margem de segurança. O investidor deve observar uma margem de segurança no preço de compra. Um investidor em ações inteligente se sairá melhor no mercado secundário e não no mercado primário de emissões, controlado por acionistas majoritários e grandes empresas. No mercado primário, os vendedores selecionam a ocasião oportuna para as ofertas e resistem em vender quando o mercado paga menos pelas ações. No mercado secundário, o investidor pode encontrar um “preço de liquidação”.

O investimento não é senão o ato de procurar um valor mínimo capaz de justificar uma aquisição. A especulação ocorre quando o investidor paga acima do valor por um lote de ações na expectativa de logo vendê-lo por um preço ainda mais alto.

A teoria do mercado eficiente (TME) diz ser inútil a avaliação de ações, a partir da premissa segundo a qual toda informação pública já se acha adequadamente refletida em seus preços. Mas, na verdade, o mercado é razoavelmente eficiente durante grande parte do tempo.

O investidor, uma vez totalmente livre para ignorar o mercado ou capaz de explorar sua loucura, pode aproveitar a disponibilidade de preços irracionalmente baixos, atribuídos a negócios sólidos, num mercado freneticamente variável (volatilidade). O investidor deve abrir mão do histórico de cotações da ação e procurar informações capazes de facilitar o entendimento do negócio da companhia.

A chave para o investimento bem-sucedido é a compra de ações de bons negócios quando os preços do mercado apresentam um grande desconto em relação aos valores empresariais subjacentes.

3) Princípio do círculo da competência

O investidor precisa de capacidade para avaliar corretamente os negócios selecionados. A meta do investidor deve ser simplesmente comprar, a um preço racional, uma participação num negócio facilmente compreensível, cujo lucro seja quase certo de ser substancialmente mais alto daqui a cinco, dez e vinte anos. O objetivo da arte de investir é simplesmente adquirir, a um preço sensato, um negócio com aspectos econômicos excelentes e uma administração competente e honesta. Depois, é necessário somente monitorar se essas qualidades estão sendo preservadas. A perda de foco é um dos fatores preocupantes.

A diversificação convencional não faz sentido para um investidor com conhecimento de alguma coisa, capaz de entender aspectos econômicos de negócios e encontrar de cinco a dez companhias garantidoras de vantagens competitivas de longo prazo e com preços sensatos.

Uma extensa diversificação só deve ocorrer quando o investidor não entende os aspectos econômicos de um negócio, mas deseja participar do mercado de ações. Ao investir num fundo de índice, o investidor, sem saber de nada, pode ter desempenho superior ao da maioria dos investidores profissionais. O “dinheiro estúpido” reconhece sua limitação e deixa de ser estúpido.

Observações de Warren Buffett extraídas de seu ensaio “Investimento e finanças corporativas” incluído na obra “Os ensaios de Warren Buffett: lições para investidores e administradores” (São Paulo: R.T.S. Rebouças, 2005). Warren Buffett, norte-americano, 74 anos, é considerado o maior investidor de todos os tempos por muitos profissionais da área financeira.

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Surtos ocasionais de duas doenças supercontagiosas (medo e ganância) sempre ocorrerão na comunidade de investimentos. Os momentos de incidência dessas epidemias são imprevisíveis. As aberrações produzidas por essas epidemias são igualmente imprevisíveis, tanto em duração como em grau. Nós nunca tentamos antecipar a contaminação ou descontaminação do mercado por essas doenças. Nossa meta é mais modesta: simplesmente tentamos ser medrosos quando os outros estão sendo gananciosos e ser gananciosos somente quando os outros estão sendo medrosos, explica Warren Buffett (“Os ensaios de Warren Buffett: lições para investidores e administradores”. São Paulo: R.T.S. Rebouças, 2005, p. 165).

Num mercado em euforia, a cotação das ações não pode superar o desempenho de negócios indefinidamente (id., 165).

A estratégia deve ser comprar bons negócios a preços razoáveis em vez de negócios razoáveis a preços bons (id., 192).

O medo é o inimigo de quem segue os modismos, mas o amigo de quem segue os fundamentos (id., 295).

Um bom histórico administrativo (avaliação por retornos econômicos) é muito mais uma conseqüência da embarcação empresarial escolhida e não um resultado da gestão pela qual a embarcação é conduzida (embora inteligência e esforço ajudem consideravelmente em qualquer negócio, bom ou ruim). Para quem se encontra num barco muito furado, provavelmente será mais produtiva a energia dedicada à mudança de embarcação que a energia dedicada ao conserto de vazamentos (id., 68).

A fórmula para o investimento com a finalidade de ganho financeiro tem estado inalterada desde sua revelação, há cerca de 600 a.C., por um homem muito inteligente, Esopo. Ensinou ele: “Um pássaro na mão vale por dois no arbusto”. O investidor deverá saber então o valor máximo do arbusto. Para conhecer esse valor máximo, o investidor deverá ter embasamento razoável sobre quantos pássaros há no arbusto, assim como quantos haverá e quando surgirão, ensina Warren Buffett (“Os ensaios de Warren Buffett: lições para investidores e administradores”. São Paulo: R.T.S. Rebouças, 2005, p. 259).