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ARTIGOS



JERUSALÉM, BELÉM E NAZARÉ

A grande maioria dos locais bíblicos está hoje dentro das fronteiras da Jordânia, de Israel e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), observa David Orkin, repórter (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 dez. 2004, p. F6).

A colonização de Jerusalém começou há pelo menos 4.000 anos, e a de Jericó, 24 km a leste, remonta há pelo menos 7.000 anos.

Cidade sagrada para cristãos, islâmicos e judeus, a história de Jerusalém começa cerca de mil anos antes do nascimento de Cristo, quando o rei Davi tomou a cidade dos jebuseus e a escolheu como a capital do reino de Israel (1.000 a.C.).

Davi sucedeu Saul, o primeiro rei, escolhido (por Samuel) após o chamado governo dos juízes, de 1200 a 1020 a.C. Em 1.250 a.C., os hebreus haviam regressado a Canaã (Terra Prometida), após a libertação do cativeiro no Egito por Moisés (1570 a 1280 a.C.) e o período de vida no deserto (1280 a 1250 a.C.).

Para estabelecer Jerusalém como a cidade sagrada dos judeus, Salomão, filho de Davi, construiu o primeiro Templo, situado no monte Moriah, no mesmo local onde Deus instruiu Abraão a sacrificar o filho Isaac, concluído em 950 a.C. O Templo abrigou a Arca da Aliança, o depósito sagrado das tábuas dos Dez Mandamentos.

Em 922 a.C., após a morte de Salomão, o reino de Israel dividiu-se em dois: o reino de Israel e o reino de Judá. Jeroboão, filho de Salomão, é o rei de Israel, reconhecido pelas tribos de Judá e Benjamin, no norte; e Roboão, é o rei de Judá (Judéia), reconhecido pelas outras dez tribos, no sul (Josefo, Flávio. História dos hebreus. Rio de Janeiro: CPAB, 5a. ed., 2001, p. 210).

Em 722 a.C., a Assíria conquistou o reino da Judéia. Em 586 a.C., a Babilônia, sob o reinado de Nabucodonosor, derrotou os assírios, conquistou o reino de Israel, capturou Jerusalém e destruiu o primeiro Templo. Jamais existiu em todo o mundo um edifício mais esplêndido, quer pela sua estrutura, sua magnificência e suas riquezas, quer pela sua santidade (Josefo, Flávio. História dos hebreus. Rio de Janeiro: CPAB, 5a. ed., 2001, p. 679).

Em 539 a.C., Ciro, o Grande (356 a.C. – 323 a.C.), rei persa, derrotou os babilônios e libertou os judeus do cativeiro da Babilônia.

Em 515 a.C., no tempo do profeta Ageu, os judeus ergueram o segundo Templo, no mesmo local do primeiro. Herodes, o Grande, ampliou o segundo Templo. Herodes reconstrói inteiramente o templo de Jerusalém para torná-lo ainda mais belo (Josefo, Flávio. História dos hebreus. Rio de Janeiro: CPAB, 5a. ed., 2001, p. 368).

Em 331 a.C., Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, conquistou Jerusalém.

Em 63 a.C., o general Pompeu capturou Jerusalém, transformada em província romana. Em 37 a.C., começou o reinado de Herodes, o Grande. Após a morte de Herodes, os romanos decidiram usar os procuradores para governar no lugar dos reis. O quinto procurador foi Pôncio Pilatos, no poder do ano 26 ao ano 36.

Em 14 a.C., Otávio Augusto torna-se o primeiro imperador do Império Romano.

Em 70 d.C., Jerusalém é destruída pelos romanos sob o comando de Tito, filho do imperador Vespasiano, sucessor de Nero. O segundo Templo foi incendiado. O atual Muro das Lamentações é o muro ocidental do segundo Templo.

Em 284 d.C., Diocleciano dividiu o Império Romano em duas partes: o Império do Oriente e o Império do Ocidente. Constantino assumiu o Império do Oriente, com sede em Bizâncio, e Diocleciano, o Império do Ocidente, com sede em Roma. O Império do Oriente (ou Império Bizantino) durou até 1453, quando os muçulmanos tomaram Constantinopla (antiga Bizâncio), e o Império do Ocidente, até 476, quando Odovacar abdicou do título de imperador (assassinado por Teodorico, rei dos ostrogodos, em 493) .

Em 800 d.C., Carlos Magno (742 – 814) tornou-se o primeiro imperador do Sacro Império Romano, coroado pelo papa Leão III. Com origem no Império Romano do Ocidente, o Sacro Império durou até 1806. De 1273 a 1806, o Sacro Império permaneceu sob a dinastia dos Habsburgo, iniciada em 1273 por Rodolfo I. Após a Guerra dos 30 Anos (1618 – 1648), da qual resultou em 1648 o Tratado de Westfália, o Sacro Império teve seu poder reduzido em razão da fragmentação de seus domínios. Os Habsburgo iniciaram essa guerra para preservar o poder diante do movimento de contestação protestante a seu trono. A vitória de Napoleão sobre a Prússia, em 1806, marca o fim da dinastia dos Habsburgo.

Jerusalém, com uma área inferior a 2,7 quilômetros quadrados, hoje é circundada por muros construídos no século XVI por ordem de Suleiman, o Magnífico, quando os otomanos governavam a cidade. Fora dos muros, fica o monte das Oliveiras, uma das mais belas vistas de uma cidade no mundo. Do outro lado da montanha, está Betânia, o lar de Lázaro.

Belém, a 13 km de Jerusalém, foi o centro da tribo de Judá e o local de nascimento do rei Davi e de Jesus. A Missa do Galo, oficiada nas proximidades da igreja de Santa Catarina, é transmitida para muitos países na véspera do Natal, quando a praça da Manjedoura fica repleta de cristãos. A Gruta da Natividade mostra o local onde Jesus teria nascido. Essa Gruta se localiza na Igreja da Natividade, edificada no século IV d.C. por ordem de Constantino, reconstruída em 530 por Justiniano.

Nazaré, onde Jesus cresceu, hoje uma das cidades da ANP, abriga a basílica da Anunciação, terminada em 1969, edificada no suposto local no qual Maria recebeu o anúncio de sua gravidez por parte do anjo Gabriel. Dentre as igrejas situadas em Nazaré, destaca-se a igreja Mensa Cristi, construída em 1861 em volta de uma pedra identificada pelos peregrinos no século XVII como sendo a mesa posta por Jesus para seus discípulos depois da ressurreição.

Jesus foi um grande homem, um grande mestre pregador de ideais universais, porém o judaísmo não O aceita como Messias ou Salvador, explica Henry Sobel, rabino, presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista – CIP (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 dez. 2004, p. F8). O judaísmo não reconhece um “filho de Deus” elevado acima dos outros seres humanos. Todos os homens são iguais, somos todos “filhos de Deus”, criados à sua imagem, e nenhum ser humano pode ser considerado mais divino em relação aos outros. Na teoria judaica, com seu enfoque rigorosamente monoteísta, Deus não pode materializar-se em nenhuma forma. Nós, judeus, não rejeitamos os conceitos de Jesus sobre Deus, pois eles são essencialmente judaicos e derivam basicamente dos ensinamentos do Torá (a Bíblia judaica), com os quais Jesus se criou e os quais jamais negou. As principais comemorações do judaísmo são o “Rosh Hashaná”, o Ano Novo judaico, e “Iom Kipur”, o Dia do Perdão.

Jesus tem o legado de ser um profeta mensageiro de Deus, anunciador de outro profeta, Muhammad (Maomé), nascido em 570 d.C., falecido em 632 em Medina. Não consideramos Jesus o filho de Deus, diz Jihad Hassan Hammadeh, xeque (“sheik” em árabe), vice-presidente da Assembléia Mundial da Juventude Islâmica (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 dez. 2004, p. F8). As principais comemorações do islamismo são o final do Ramadã, quando Muhammad recebeu a primeira revelação divina, e o final da peregrinação a Meca, quando se comemora o sacrifício exigido por Deus a Abraão para testar sua fé. Na tarde de sua morte, Muhammad, na companhia do anjo Gabriel, fez uma viagem até Jerusalém, onde ascendeu aos céus.

Jesus era um homem sábio, na hipótese de ser considerado simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava a todos os interessados em ser instruídos na verdade. Foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Cristo. Os mais ilustres da nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele fê-lo crucificar. Seus seguidores não o abandonaram depois da morte. Como os santos profetas o tinham predito, Jesus lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia e faria muitos outros milagres (Josefo, Flávio. História dos hebreus. Rio de Janeiro: CPAB, 5a. ed., 2001, p. 418).

A Palestina não é um país, não possui exército nem tem moeda própria. A ANP, sediada em Ramallah, administra os territórios palestinos, como as cidades de Hebron, Gaza, Jerusalém Oriental, Belém, Jericó. A população palestina soma no mundo 9.740.226 habitantes, dos quais 3.827.914 estão em territórios palestinos, onde a língua oficial é o árabe (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 jan. 2005, p. A14).

Israel devolveu à ANP, em 16 mar. 2005, o controle de Jericó, cidade de 25 mil habitantes localizada na Cisjordânia, ocupada com a Guerra dos Seis Dias, em 1967, entregue aos palestinos nos anos 1990, após os Acordos de Oslo, e reocupada a partir de 2002 em operação destinada a neutralizar terroristas. Além de Jericó, Israel devolverá à ANP Tulkarem, Ramallah, Qalqilya e Belém (Diário do Nordeste, Fortaleza, 17 mar. 2005, p. 8).

Cruzadas

Em 1099, os cruzados da Primeira Cruzada (1096 – 1099) tomaram Jerusalém, e Godofredo de Bulhões foi seu primeiro governante, sucedido por seu irmão, Balduíno I, investido como rei. O movimento das cruzadas continuou para defender a ocupação dos cristãos na Terra Santa (“Coleção Grandes Guerra - V”. São Paulo: Abril, abr. 2005).

Foram empreendidas mais sete cruzadas: a Segunda, de 1147 a 1149; a Terceira, de 1189 a 1192 (da qual participaram Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, Felipe II, da França, e Frederico Barba-Roxa, da Alemanha); a Quarta, de 1202 a 1204 (lançada pelo papa Inocêncio III); a Quinta, de 1218 a 1221; a Sexta, de 1228 a 1229; a Sétima, de 1248 a 1254; e a Oitava, de 1267 a 1270 (id.).

Em 1187, na batalha de Hattin, os muçulmanos, sob a liderança de Saladino (1138 - 1193), derrotaram os cristãos, comandados por Guy de Lusignan, francês, sucessor de Balduíno IV, e retomaram Jerusalém. A tomada de Acre, em 1291, a última cidade cristã, marca o fim da era das Cruzadas na Terra Santa (id.).

À luz de seus propósitos originais, as Cruzadas foram um fracasso. Não promoveram conquistas permanentes na Terra Santa. Não retardaram o avanço do Islã. Longe de ajudar os bizantinos, aceleram sua desintegração. Fomentaram a intolerância entre muçulmanos e cristãos, quando antes havia um mútuo respeito. E ainda recrudesceram o anti-semitismo na Europa, avaliou Williston Walker em seu livro “Uma história da Igreja Cristã (id.).

A Primeira Cruzada foi conclamada pelo papa Urbano II diante de pedido de Alexius I, imperador bizantino sediado em Constantinopla (berço da Igreja Ortodoxa, nascida com o Grande Cisma, a divisão da Igreja Católica ocorrida em 1054). Alexius I solicitou ajuda para conter o avanço islâmico (id.).

O islamismo, religião fundada pelo profeta Maomé (570 d.C. – 632 d.C.), assemelha-se tanto ao cristianismo como ao judaísmo. Os muçulmanos dizem venerar o mesmo Deus venerado por judeus e cristãos.

Em 1453, os otomanos (turcos mulçumanos) tomaram Constantinopla e dão fim ao Império Bizantino (antigo Império Romano do Oriente), com sede em Bizâncio, fundado em 330 d.C. por Constantino (ele rebatizou a cidade de Bizâncio para Constantinopla). Sob o Império Otomano (1299 – 1571), Constantinopla passou a chamar-se Istambul. Em 1571, Felipe II, rei da Espanha, católico, da dinastia dos Habsburgos, derrotou os otomanos.