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ARTIGOS



DEMISSÃO & LEALDADE E PRODUTIVIDADE

Alguns especialistas argumentam que demissões ("downsizing"), combinadas com uma reformulação cuidadosa, podem preparar o terreno para o crescimento. Outros, porém, dizem: a empresa que evita cortar empregados colhe imensos benefícios em termos de lealdade e produtividade, conforme apurou Daniel Altman, do "The New York Times".

Jason Jennings, consultor, reconhece não se poder provar que uma política de evitar demissões eleve os lucros ou aumente o crescimento, mas afirma: uma empresa que utiliza a alternativa das demissões termina por ter uma força de trabalho mais preocupada consigo mesma que com a produtividade.

Nos EUA, 38 companhias abertas realizaram, cada, mais de mil demissões no 4º trimestre de 2001. Mas suas ações caíram em média 22% em 2002, a mesma queda do índice Standard & Poor's 500.

Nos últimos 15 anos, a Goldman Sachs Group alternou pelo menos sete grandes ondas de demissões com períodos de aumento no emprego. A Goldman reconhece ser delicado encontrar o equilíbrio quando se pretende reduzir a capacidade excedente o bastante para manter um bom custo/benefício. Não se pode reduzir demais, porque se precisa reagir quando os mercados voltam a subir.

Peter Cappelli, professor, Universidade da Pensilvânia, concluiu: as empresas que demitem por razões estratégicas colhem menos benefícios em relação àquelas que demitem para enfrentar excesso de capacidade.

Jennings acha que os cortes ajudam mais quando são parte de um plano de reestruturação, no qual a empresa adota outras medidas (como deixar certas áreas e eliminar redundâncias).

O mundo corporativo, interpreta James Craft, professor da Universidade de Pittsburgh, enfrenta hoje o tripé: redução de custo, eficiência e reposicionamento estratégico (redirecionamento do foco). Ele observa: quase todas as principais empresas do mundo têm experimentado "downsizing" e reestruturações, e as empresas que fazem uma reestruturação bem feita, sem traumas, podem voltar a ser competitivas. Mas ele alerta: "Se a dor é inevitável, que venha de uma só vez."

No começo dos anos 90, as empresas faziam cortes a cada semana e criavam um clima de pavor entre as pessoas. Hoje, as empresas definem o objetivo e as pessoas escolhidas para alcançar esse objetivo, e as pessoas escolhidas são motivadas e esclarecidas sobre o seu papel no processo. Essas pessoas, explica Craft, precisam ser valorizadas porque conhecem a cultura, as políticas e os objetivos da empresa, bem assim já possuem as habilidades requeridas por ela.

Craft analisa que, para a retenção de talentos, as empresas estão oferecendo um salário-base menor, mas compensam com oportunidades na carreira e com remuneração baseada na "performance", seja avaliação por metas fixas, como vendas ou aumento de receita, seja avaliação mais subjetiva sobre o desempenho profissional.