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ARTIGOS



CERVEJA & CHOPE

Michael Jackson, inglês, escreveu mais de 14 livros sobre cerveja e uísque, traduzidos para 16 línguas. Vendeu mais de 3 milhões de exemplares.

Jackson decidiu, há 25 anos, fazer algo para reabilitar a cerveja e melhorar seu “status” para o nível do vinho.

Avalia Jackson: “A imagem popular era que o vinho pertencia à classe alta e a cerveja, à baixa.”

Jackson explica: “Ambos são bebidas fermentadas. A diferença fundamental é que no vinho você começa da fruta e na cerveja você começa do grão.”

Hoje, como o vinho, a cerveja tem sua própria linguagem. Os termos do vinho foram um ponto natural de partida.

“A cerveja pode ser levemente encorpada ou plenamente encorpada, macia ou firme, magra, rala, viscosa ou xaroposa, seca ou doce”, define Jackson.

Ele, para evitar confusão, nunca usa “leve” para indicar cor. Explica: “Eu diria uma ‘cor dourada pálida’. Poderia dizer ‘forte’ se fosse citar a percentagem de álcool. A cor nada tem a ver com o teor alcoólico da cerveja.”

Exemplifica Jackson: “O dourado pálido da Duvel leva as pessoas a pensar erroneamente que é uma cerveja inocente. Contudo, essa cerveja belga, tipo ‘ale’, conta com 8,5% de álcool em volume. A Duvel tem uma grande complexidade de sabores. O álcool é coberto por sabor frutado parecido com pêssego derivado do lêvedo e o requinte adicional vem de sabores de laranja e camomila de lúpulo.”

Jackson adverte: “Se você vê uma garrafa poeirenta de cerveja, não pense que é tão boa quanto um vinho poeirento.” Complementa ele: “Com exceção de cervejas muito fortes que contêm açúcares fermentáveis e lêvedo vivo, como a “Fuller’s Vintage Ale”, a maioria deve ser consumida após a fabricação.”

Tem uma cerveja predileta ? Respondeu Jackson: “Há uma cerveja certa para o momento certo.”

O mundo da cerveja tem cerca de 150 tipos diferentes, divididos em duas grandes famílias: as “ales”, mais escuras e encorpadas, e as “lagers”, mais claras e leves, com 85% do mercado. O processo de fermentação determina a distinção entre uma e outra: nas “ales”, a levedura sobe para o alto do líquido que repousa nos tanques e, por isso, elas se chamam cervejas de alta fermentação; nas “lagers”, a levedura sedimenta, daí serem conhecidas como cervejas de baixa fermentação.

O tipo mais conhecido pelos brasileiros, a cerveja “pilsen”, entra no grupo das de baixa fermentação (“lagers”), o mais difundido. A cerveja tipo “pilsen”, de 3 a 5,5 graus de álcool, é originária da cidade de Pilsen, localizada na região da Boêmia, República Checa. Tem cor dourada brilhante e espuma branca como neve.

A cerveja tipo “draft”, de 4,6 graus de álcool, é a típica cerveja americana. Depois de fermentada, a bebida passa por um processo de filtragem de três etapas e o resultado é uma cerveja mais leve e com teor alcoólico e amargor menores.

A Miller, tipo “draft”, é produzida no Brasil em parceria com a Brahma.

A Budweiser, a marca mais vendida no mundo, é clara e de baixa fermentação.

CHOPE

A palavra chope origina-se do alemão “schopp” (uma medida de volume, equivalente a 300 ml). A diferença entre a cerveja e o chope: o chope não é pasteurizado. O chope foi inventado há 6 mil anos, na Mesopotâmia (Iraque), e a cerveja, em 1876, com a pasteurização.

O barril de chope de bar, com 50 litros ou 150 tulipas, dura uns dez dias, mas aberto deve-se consumir em até 24 horas.

O chope é mais fresco e tem menos gás, por isso dá a impressão de ser mais leve que a cerveja.

A espuma do chope preserva o gás e a temperatura, bem como não deixa o chope ficar amargo. Chope sem espuma significa que o copo deve ter resíduo de gordura.

A diferença do chope mais escuro para o mais o claro: a adição de caramelo de milho, corante que deixa um sabor adocicado.

MANDAMENTOS DA CERVEJA

Os dez mandamentos da cerveja:

1) As cervejas tipo “pilsen” (as claras e leves mais consumidas no Brasil) saem prontas da cervejaria. Não precisam de envelhecimento. Quanto mais cedo consumi-las, melhor. Duram em média 90 dias.

2) Toda cerveja deve ser guardada em pé, em lugar fresco e sem expor-se ao sol, para evitar oxidação prematura;

3) Depois de gelada, a cerveja deve ser consumida. Nunca descongelar e voltar à geladeira.

4) A cerveja deve resfriar na geladeira sem pressa. Não a coloque no “freezer”, pois a violência do congelamento prejudica o sabor da bebida.

5) A temperatura ideal para beber as do tipo “pilsen” é entre 4 a 6 graus. As temperaturas muito baixas prejudicam a formação de espuma e deixam a cerveja choca, como se costuma dizer.

6) Copos e canecas de cristal são ideais, pois mantêm melhor a espuma e a temperatura;

7) Resíduos de gordura no copo são fatais para a bebida, pois acabam com o colarinho e liberam gás carbônico, deixando o líquido chôco.

8) Dois dedos de espuma são o ideal para reter o aroma e evitar a liberação do gás carbônico.

9) A espuma revela o bom estado da cerveja. Para aproveitá-la melhor, sirva derramando uma dose na tulipa ou na caneca. Depois, espere baixar o colarinho. Em seguida, incline o copo até uns 45 graus e despeje o líquido devagar enquanto o colarinho sobe.

10) Uma boa cerveja faz bem à saúde. É rica em vitaminas, carboidratos, proteínas e aminoácidos. Mas se lembre: beba sempre com moderação.

O Brasil produz quatro marcas de elogiadas cervejas artesanais: 1) Devassa ruiva, Rio de Janeiro (RJ); 2) Baden Baden Red Ale, da Cervejaria Baden Baden, Campos do Jordão (SP); 3) Eisenbahn Dunkel, da Cervejaria Eisenbahn, Blumenau (SC); 4) Bohemia Weiss (cerveja de trigo), a única produzida em larga escala (Isto É, São Paulo, n. 1850, 30 mar. 2005, p. 66).

CURIOSIDADES SOBRE A CERVEJA

Em 23 abr. 1516, o duque Guilherme IV, da Bavária, promulgou a ´Reinheitsgebot´, conhecida como a lei de pureza, uma referência até hoje para os produtores de cerveja; água, lúpulo e malte de cevada ou de trigo devem ser os únicos ingredientes da cerveja, segundo a referida lei, considerada no mundo a primeira lei de proteção ao consumidor.

A Bélgica declarou sua independência da Holanda em 1830, e um dos principais motivos levados em conta foi o aumento do imposto decretado pelos holandeses sobre as 3 mil cervejarias.

Fundada em 1040, a ´Weihenstephaner´, localizada na cidade de Freisig, Alemanha, é oficialmente reconhecida como a cervejaria mais antiga do mundo em atividade.

A Pilsen, o tipo de cerveja mais bebido no Brasil, ganhou esse nome em razão de ter surgido em 1842 na cidade de Pilsen, na República Checa.

O amargo da cerveja vem do lúpulo (´humules lupulus´), flores utilizadas na produção da bebida; as plantas macho são eliminadas antes da colheita, pois se usam apenas as flores das plantas fêmeas não-fecundadas; a planta de lúpulo chega a ter entre 6 e 8 metros de altura.

O ´Delirium Café`, em Bruxelas, tem 2.500 cervejas diferentes no seu cardápio.

O colarinho não é um mero enfeite; ele atua como isolante térmico e preserva os aromas e o gás carbônico da cerveja.

A cerveja chegou ao Brasil em 1808 com a vinda da família real portuguesa.

Há 300 anos, a ´Vlaams Bruin`, ainda oferecida por duas cervejarias belgas, é produzida combinando fermentação espontânea e alta; só após fermentar por cinco anos no tanque, a cerveja é engarrafada e a validade costuma ser de dez anos.

A ´Pale Ale´ foi a primeira cerveja clara do mundo; surgiu no século XVIII com a invenção de uma máquina capaz de secar o malte de cevada sem torrá-lo, dando-lhe coloração clara; em conseqüência, a cerveja também passou a ficar clara.

Tomada com moderação, até duas latas por dia, a cerveja faz bem: melhora a circulação, porquanto o álcool etílico, em pequenas doses, aumenta o nível do colesterol bom e dilata os vasos; aumenta o apetite e induz à produção de ácidos gástricos, facilitadores da digestão; é rica em vitaminas do grupo B, especialmente riboflavina, piridoxina e ácido fólico, favorecedoras do bom funcionamento dos músculos (´Playboy´. São Paulo: Abril, n. 372, jun. 2006, p. 86).