Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



VINHOS BRASILEIROS

No Brasil, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), há quatro pólos de produção de vinhos finos, três dos quais localizados no Rio Grande do Sul e um no Nordeste: 1º) a serra Gaúcha, principal produtora; 2º) a serra do Sudeste; 3º) a região de Campanha (fronteira com o Uruguai); 4º) as regiões de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), no chamado vale do Submédio São Francisco.

Os produtores gaúchos dividem as regiões vinícolas do Estado em duas fronteiras: 1ª) fronteira tradicional: serra Gaúcha, situada no Nordeste gaúcho (Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Garibaldi, Flores da Cunha, Pinto Bandeira, Veranópolis, Monte Belo, Santa Tereza, Cotiporã e Farroupilha); 2ª) nova fronteira: zona Sul do Estado (Bagé, Candiota, Encruzilhada do Sul, Pinheiro Machado e Santana do Livramento).

A fronteira tradicional produz vinhos desde o início dos anos 60. A nova fronteira começou a receber a implantação de vinhedos em meados dos anos 70. A Almadén iniciou o movimento. Seu projeto é em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. Hoje, a nova fronteira conta com 1,3 mil hectares plantados, e deverão ser 3 mil hectares até 2007.

Em virtude de produção insuficiente, as vinícolas misturavam as uvas da nova fronteira com as uvas da fronteira tradicional, e impediram a nova fronteira de ter um vinho com identidade local.

Na nova fronteira, o clima, mais seco e ensolarado, tende a gerar frutas com mais açúcar e, portanto, com maior teor alcoólico na fermentação. Hoje, os produtores perseguem vinhos de melhor qualidade em relação à fronteira tradicional. Os vinhos serão mais encorpados e macios e com menor grau de acidez. A safra de 2003 já corresponde a 8,5% da produção total do Estado.

O Brasil tem 60 mil hectares de área plantada de uva (23ª colocação mundial); a Argentina, 210 mil; o Chile, 110 mil; a Espanha, 1.250.000 mil (1ª colocação); no mundo, são 10 milhões de hectares.

O Brasil produz uma média de 3 milhões de hectolitros de vinho por ano, e é o 3º produtor da América do Sul (atrás da Argentina e do Chile) e o 17º produtor mundial.

O mercado nacional consome 49,5 milhões de litros de vinhos finos, com base em 2002. Os importados detém 48,8% desse mercado. “Só 20% dos importados têm qualidade excepcional; o restante pode ser substituído pelo bom vinho nacional”, avalia Ângelo Salton Neto, presidente da Salton.

Os vinhos tintos brasileiros são produzidos, em sua maioria, com as uvas “cabernet sauvignon”, “merlot” e “cabernet franc”, todas de origem francesa. A “merlot” alcança melhor qualidade que a “cabernet sauvignon”.

Os vinhos brancos brasileiros são produzidos, em sua maioria, com as uvas “chardonnay” (francesa) e a “riesling” (européia).

O grande salto da indústria vinícola brasileira ocorreu por volta de 1970, quando empresas internacionais (Chandon, Martini & Rossi e Heublein) se instalaram na serra Gaúcha. Elas trouxeram mudas francesas, novas técnicas de plantio e equipamentos de alta tecnologia.

A designação “vinho fino” indica ter sido o vinho produzido com uva vinífera, e o vinho varietal deve ter pelos menos 60% da variedade de uva indicada no rótulo. A designação “vinho de mesa” indica ter o vinho entre 10% a 13% de álcool. A designação “vinho seco” indica ter o vinho menos de 5 gramas de açúcar residual (maior quantidade de açúcar caracteriza o “vinho doce”). A designação do ano da safra indica ter sido o vinho produzido totalmente com uvas da colheita desse ano, e a ausência do ano da safra significa ter ocorrido mistura de safras.

A videira (“vitis vinífera”) se desenvolve, com preferência, entre 30º e 45º de latitude, e o Arroio Chuí, ponto extremo ao Sul do Brasil, situa-se a 33º de latitude sul. Assim, somente uma reduzida área de nosso território é condizente com as melhores condições para o crescimento das vinhas.

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) outorgou em nov/2002 certificação de “Indicação de Procedência (IP)” à região Vale dos Vinhedos (região de 81 km2 situada entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, no Rio de Grande do Sul), de acordo com projeto formulado pela Associação dos Produtores de Vinho do Vale dos Vinhedos (APROVALE). Primeira certificação brasileira, esse passo contribuirá, por certo, para a evolução qualitativa do vinho nacional. Outras regiões se organizam para ganharem a IP.

Para um vinho produzido no Vale dos Vinhedos obter o selo de IP, o produtor (não basta ser associado da APROVALE) deverá observar as normas regulamentares baixadas pelo Conselho Regulador, bem como submeter o vinho à aprovação de análises químicas e de degustação às cegas, a ser realizada por um comitê designado pelo referido Conselho, ao qual cabe conceder o selo e zelar pela reputação da IP. A APROVALE se compõe de 22 vinícolas associadas e 13 delas conseguiram selo de certificação para vinhos da safra/2002 (Valduga, Miolo, Don Laurindo, Pizzato, Cave de Pedra, Aurora, dentre outros), correspondente a 25% do volume de vinho produzido na região em 2002. Sinal distintivo para o consumidor, o selo de IP é numerado e permite o conhecimento do histórico da produção.

As normas regulamentares da IP “Vale do Vinhedos” estabelecem: 85%, no mínimo, das uvas utilizadas para a produção do vinho devem ser colhidas na região; 60% de um tipo de uva bastam para caracterizar a identificação no rótulo do tipo de uva utilizada no vinho (40% das uvas utilizadas podem não aparecer no rótulo); o produtor pode extrair 150 hectolitros por hectare e o método do plantio pode ser em “espaldeira” (o melhor: a vinha é baixa e recebe bastante sol; método tradicional praticado na Europa) ou em “latada” (produz mais uvas, mas de qualidade inferior, pois as uvas, mantendo-se sob as folhas, ficam menos expostas ao sol; 80% do vinho fino brasileiro ainda provém de vinhedos em “latada”). Marcelo Copello considera essas exigências ainda bastante modestas.

A Indicação de Procedência (IP) é o primeiro passo para pleitear a denominação de origem à Organização Internacional do Vinho.

***

VINHA & VINHO – O Brasil aderiu ao ´Acordo Constitutivo da Organização Internacional da Vinha e do Vinho´, celebrado em Paris em 03 abr. 2001, em vigor desde 01 jan. 2004. Por meio do Decreto nº 5.863, de 01 ago. 2006, a Presidência da República promulgou o Acordo, aprovado pelo Congresso Nacional na forma do Decreto Legislativo nº 42, de 22 fev. 2006. A ´Organização Internacional da Vinha e do Vinho´, organismo intergovernamental de natureza científica e técnica, tem, dentre seus objetivos, o de ´contribuir para a harmonização internacional das práticas e normas existentes e, caso necessário, para a elaboração de novas normas internacionais, a fim de melhorar as condições de produção e comercialização de produtos vitivinícolas e o atendimento dos interesses dos consumidores´.

***

BRASIL SAFRA 2005 - O Brasil está iniciando a venda da sua safra de vinho de 2005, a melhor dos últimos 30 anos. Começam a chegar ao mercado os vinhos dessa safra e há previsão de melhoria da imagem da produção nacional. Vou sentir ciúmes de engarrafar e colocar no mercado o vinho da safra de 2005; há 30 anos vinificando, nunca viu uma safra como essa, assinala Ademir Brandelli, enólogo da Don Laurindo. O clima seco de 2005, causador de um desastre para a agricultura em geral, foi uma benção para a produção de uvas. O ambiente de muito sol durante o dia e temperatura fria ou amena à noite foi perfeito para produzir uvas sadias. A Associação Brasileira de Enologia (ABE) promoveu, em Bento Gonçalves (RS), em set. 2006, a 14ª Avaliação Nacional de Vinhos, incluindo 253 amostras de 63 vinícolas de várias regiões produtoras. Os oito vinhos tintos distinguidos com as melhores notas dadas pelos degustadores foram: 1) merlot, da Vinícola Miolo, 89,0 (máxima 100); 2) tannat, da Vinícola Salton S.A., 88,5; 3) merlot, da Vinícola Lovara Vinhos Finos, 88,0; 4) merlot, da Vinícola Dom Cândido Ltda., 88,0; 5) syrah, da Vila Francioni Agronegócios S.A., 88,0; 6) cabernet sauvignon, da Vinícola da Paz, 88,0; 7) carmenère, Vinícola Perini Ltda., 88,0; e 8) cabernet sauvignon, da Sociedade de Bebidas Panizzon Ltda., 87,5 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 out. 2006, p. B6).

***

VINHO NORDESTINO - A ViniBrasil (parceria entre a empresa portuguesa Dão Sul e a importadora brasileira Expand), produtora dos vinhos Adega do Vale, Rendeiras e Rio Sol, lançará o Paralelo 8, composto de 5 uvas, com preço de venda de R$ 68,00 e limitação de 3.000 garrafas. A ViniBrasil é uma das seis vinícolas instaladas na região do Vale São Francisco, em Pernambuco, responsáveis pela produção de 6 milhões de litros de vinho, 15% da fabricação nacional. A plantação da ViniBrasil encontra-se na Fazenda Santa Maria, com área de 2 mil hectares, localizada na cidade de Lagoa Grande, às margens do rio São Francisco, distante 70 km de Petrolina, situada no paralelo 8 Hemisfério Sul. O clima do simi-árido nordestino permite a produção de duas safras anuais na Fazenda Santa Maria. O consumo de vinho no Brasil ainda é de 2 litros por pessoa por ano, enquanto na Europa esse número é de 60 litros (Valor, São Paulo, 04 out. 2006, p. B5).