Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



VINHOS CHILENOS, ARGENTINOS E URUGUAIOS

VINHOS CHILENOS - Por volta de 1850, Silvestre Ochagavia, agricultor, começou a transformar o simplório vinho chileno em bebida de qualidade reconhecida mundialmente. Ele substituiu por cepas francesas as cepas espanholas, levadas ao Chile pelos espanhóis no século XVI.

O Chile apresenta uniformidade de solo e clima e, assim, não precisou criar um complexo sistema de denominações de origem para a classificação dos vinhos, como acontece na França, Itália ou Portugal.

Há alguns anos, o Chile revelou uma grande novidade no mundo do vinho ao lançar os vinhos da uva “carmenére”, uma cepa de origem francesa, considerada extinta. A “carmenére”, inicialmente confundida nos vinhedos chilenos com a “merlot”, produz um vinho estruturado, de corpo suave e profunda cor, e ela está-se tornando a uva emblemática do Chile, assim como a “malbec” se tornou típica da Argentina.

As principais regiões vinícolas chilenas são: o vale do Aconcágua (Colchagua), o vale Casablanca, o vale Central e a região sul.

O vale do Colchagua, ao norte de Santiago e a 180 km dessa cidade, situa-se entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. É irrigado pelas águas do degelo dos Andes e produz 50% dos vinhos chilenos para exportação. Essa região oferece excelentes condições para o cultivo de uvas tintas, principalmente a “cabernet sauvignon” (cerca de 70% da produção chilena dessa uva se origina desta região). Os vinhos tintos desse vale ganharam mais de 60% das medalhas de ouro conquistadas pelo Chile em concursos internacionais.

A “Rota do Vinho de Colchagua”, criada em 1996, é um circuito turístico formatado pela associação de treze vinícolas da região (“Montes”, “Vina Bisquertt”, “Casa Lapostolle”, “Luís Felipe Edwards”, “Vina Casa Silva”, “Vina MontGras”, “Cono Sur”, “Vina Selentia”, “Hacienda Araucano”, “Alberto Siegel”, “Vina Santa Laura”, “Viu Manente”).

O vale Casablanca, também ao norte de Santiago e a 30 km do Pacífico, é uma das melhores zonas para a produção de vinho banco. A uva “sauvignon blanc” é de excelente qualidade.

O vale Central, ao sul de Santiago, engloba os vales de Maipo, Rapel, Curicó e Maule. Em Maipo e Curicó, estão sediadas grandes empresas como “Cusino Macul”, “Santa Rita”, “Vina Carmen”, “Concha y Toro”; e em Maule, “Miguel Torres”, “Caliterra” e “Vina San Pedro”.

A região sul abrange o vale de Itata e o vale Bio Bio.

A Casa Lapostolle, do Chile, criada em 1994 pela família Marnier-Lapostolle, da França, pretende fazer um vinho com as características do Novo Mundo e o do Velho Mundo, ou seja, um vinho concentrado e elegante ao mesmo tempo, afirma Alexandra Marnier-Lapostolle, presidente. O seu tinto “premium” é o “Clos Apalta” da safra de 2001, considerado o segundo melhor vinho do ano de 2004 no Top 100 da revista “Wine Spectator”. O Chile tende a ocupar um lugar no segmento do vinho com preço ao consumidor entre US$ 15 a US$ 25. A sua participação em volume, de 2% a 3% da produção mundial, não é tão importante (Valor, São Paulo, 31 maio 2005, p. D6).

VINHOS ARGENTINOS - A Argentina detém a maior produção de vinho de América do Sul e ocupa o 5º lugar no mundo. Mas exporta apenas 20% de sua produção.

O padre Juan Cidron chegou em 1556 a Santiago del Estero, região de Cuyo, e trouxe as vides originadoras dos primeiros argentinos. O início da produção comercial ocorreu em 1777, intensificada no século XIX com a chegada dos imigrantes italianos, espanhóis, portugueses e franceses, os quais se radicaram na região correspondente hoje à Província de Mendoza.

Na década de 80, os argentinos despertaram para o ótimo negócio do vinho e começaram a plantar novas cepas e a modernizar a cultura da uva e a indústria da bebida. Atualmente, a Argentina produz, cada vez mais, vinhos de qualidade.

“Começamos a descobrir o mundo na década de 90, quando nossos principais concorrentes já estavam bem à frente”, avalia Roberto González, gerente da elogiada bodega “Nieto Senetiner”, produtora do “Cadus Malbec 1999”, vinho bissexto (só engarrafado em safras especiais). Adverte González: “Mas o importante é que temos qualidade para competir de igual para igual com os países do Novo Mundo.”

A Argentina tem hoje uma riquíssima variedade de uvas viníferas: “malbec”, “merlot”, “cabernet sauvignon”, “sémillon”, “pinot noir”, “tempranillo”, “barbera”, “sangiovese”. A uva “criolla” domina os vinhedos e é a principal componente dos vinhos “gruesos”, de baixa qualidade. De origem francesa, mas hoje pouco cultivada na França, a uva “malbec” revelou na Argentina a sua melhor adaptação no mundo e dá destaque ao vinho argentino. A “malbec” produz excelentes vinhos tintos, também quando misturada à “cabernet sauvignon”.

As principais regiões vinícolas argentinas são: Mendoza, a maior, Salta, La Rioja, San Juan e Rio Negro.

A cidade de Mendonça, a 1.200 km de Buenos Aires, situa-se muito perto da Cordilheira dos Andes, em lugar muito árido, clima seco, quase não chove, só com 3% das terras cultiváveis, tomadas por plantações de uva e alho, irrigadas com a água do degelo da Cordilheira.

O potencial da região desperta o interesse de empresas estrangeiras: a “Concha y Toro”, chilena, comprou a “Trivento”, e a “Baron De Rothschild”, francesa, se associou à “Catena” com o propósito de produzir o melhor vinho argentino sob a marca “Caro”. Aliás, o “Catena Zapata 1997” é exemplo de ótimo vinho produzido na Argentina.

Mendoza representa 70% do vinhedo argentino e produz vinhos dos mais populares aos mais sofisticados, através de mais 1.200 vinícolas, espalhadas pelos 18 municípios dessa Província, a qual criou os “Caminhos do Vinho” com quatro regiões principais: Centro-oeste (Godoy Cruz, Guaymallén, Luján de Cujo e Maipú); Valle de Uco (Tupungato, Tunuyán e San Carlos); Sul (San Rafael) e Vale Central (San Martín, Rivadavia, Junín e Santa Rosa).

A Argentina integra o MERCOSUL e, nessa condição, seus produtos importados pelo Brasil, favorecidos pelo regime de tributação, devem ter preços mais atraentes em relação aos do Chile.

O êxito no mercado de vinho depende do oferecimento de algo diferente. A Argentina possui todas as condições desejadas por um enólogo: uma boa exposição solar, o contraste entre dias quentes e noites frescas, antigos vinhedos de alta densidade e solos pobres, assinala Alberto Antonini, viticultor. Os argentinos têm outra vantagem: o vento sopra a favor de sua cepa favorita, a ´malbec´, já reconhecida pelos consumidores. O ´malbec´ é um vinho muito agradável, tem taninos simultaneamente doces e glutões; se for produzido com técnicas modernas, poderá resultar em vinhos equilibrados, fáceis de beber, avalia Antonini. A `malbec´ permite à Argentina produzir vinhos deliciosos, majestosos e profundamente complexos, sem serem caros, afirma Robert Parket, o guru mundial dos vinhos. O Ferrer Malbec 2003, vinho de Mendonça, conquistou a nota 96 pela revista ´Wine Spectator´, a melhor nota obtida por um vinho sul-americano. Mendonça é atualmente uma das regiões preferidas pelos investidores da indústria mundial do vinho. As caves Catena Zapata, de Mendonça, venderam 2,25 milhões de litros em 2005, correspondente a 40% da produção Argentina. Nicolas Catena Zapata, seu proprietário, é o único argentino a figurar no ´The World´s Greatest Wine Estates´, publicada em 2005 por Robert Parket (`Courrier Internacional´, Lisboa, n. 63, 16 jun. 2006, p. 23).

O êxito no mercado de vinho depende do oferecimento de algo diferente. A Argentina possui todas as condições desejadas por um enólogo: uma boa exposição solar, o contraste entre dias quentes e noites frescas, antigos vinhedos de alta densidade e solos pobres, assinala Alberto Antonini, viticultor. Os argentinos têm outra vantagem: o vento sopra a favor de sua cepa favorita, a ´malbec´, já reconhecida pelos consumidores. O ´malbec´ é um vinho muito agradável, tem taninos simultaneamente doces e glutões; se for produzido com técnicas modernas, poderá resultar em vinhos equilibrados, fáceis de beber, avalia Antonini. A `malbec´ permite à Argentina produzir vinhos deliciosos, majestosos e profundamente complexos, sem serem caros, afirma Robert Parket, o guru mundial dos vinhos. O Ferrer Malbec 2003, vinho de Mendonça, conquistou a nota 96 pela revista ´Wine Spectator´, a melhor nota obtida por um vinho sul-americano. Mendonça é atualmente uma das regiões preferidas pelos investidores da indústria mundial do vinho. As caves Catena Zapata, de Mendonça, venderam 2,25 milhões de litros em 2005, correspondente a 40% da produção Argentina. Nicolas Catena Zapata, seu proprietário, é o único argentino a figurar no ´The World´s Greatest Wine Estates´, publicada em 2005 por Robert Parket (`Courrier Internacional´, Lisboa, n. 63, 16 jun. 2006, p. 23).

VINHOS URUGUAIOS - O Uruguai, 8º país no “ranking” mundial do consumo de vinhos, produz a bebida há mais de 250 anos. Hoje, o Uruguai conta com mais de 300 vinícolas, lá chamadas de cantinas ou bodegas.

O Chile se distingue pela uva “carmenère”; a Argentina, pela “malbec”; e o Uruguai, pela “tannat”.

De origem francesa, a “tannat”, adaptando-se muito bem ao solo e ao clima, adquiriu características próprias no Uruguai e produz um vinho mais agradável ao paladar do consumidor que o vinho feito em Madiran, sudoeste da França, região original da cepa. Pascual Harriague, imigrante basco, introduziu em 1870 a “tannat” no Uruguai, na região de Salto (a uva é também conhecida no Uruguai por “Harriague”).

Com a “tannat” se elabora um vinho tinto de cor intensa, com aroma e corpo, bom para acompanhar carnes de boi, porco e carneiro. A “tannat” aparece em cortes com a “cabernet sauvignon” e a “merlot”.

A garantia de qualidade do vinho uruguaio se reconhece pelo selo “Vino de Calidad Preferente (VCP)”, outorgado pelo Instituto Nacional de Vitivinicultura (INAVI), criado em 1987.

A World Wine La Pastina traz os vinhos da “Catamayor Corazón de Roble e Vieja Parcela”, e Celso La Pastina ressalta: esses vinhos têm recebido prêmios em concursos internacionais importantes.

A Mistral traz os vinhos da “Cesar Pisano e Hijos”, e Daniel Pisano, diretor dessa bodega, observa: “Nosso objetivo é elaborar um vinho da forma mais natural possível e com um mínimo de manipulação.” A Pisano firmou acordo de cooperação técnica com a “Domaine de la Vougeraie”, Borgonha, França.

A Decanter traz os vinhos da “Juan Carrau”, tradição de 250 anos, produtora da bebida em dois vinhedos (“Castel Pujol” e “Las Violetas”). A Carrau mantém parceira com o “Château Lurton”, de Bordeaux (desta parceria resultou o “Tannat Casa Luntro”, medalha de ouro no “Challenge International du Vin”, Bordeaux) e a “Freixenet”, espanhola (desta parceria resultou o “Amat”).

A Expand traz os vinhos do “Estabelecimiento Juanicó”, com origens em 1755, e um de seus vinhos é o premiado “Preludio”. A Juanicó tem parcerias com importantes vinícolas francesas, como o “Château Pape Clement” e o “Château Malesan”.

***

A cepa de uvas ´tannat´ é uma das mais benéficas para o coração pela alta concentração dos taninos (procianidinas, um dos polifenóis mais ativos), de acordo com a opinião de cientistas britânicos divulgada na revista ´Nature´, edição de 30 nov. 2006. Responsáveis por comprovada proteção ao coração, os polifenóis asseguram mais facilidade ao fluxo de sangue ao inibir células das artérias coronárias produtoras da endotelina-1 (ET-1), um vasoconstritor. O Uruguai é o principal reduto da uva ´tannat´, originária da França e lá introduzida em 1870 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 nov. 2006, p. A-20).