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ARTIGOS



VINHOS PORTUGUESES

Luso, filho de Baco, e Lisa, bacante, deram o nome à Lusitânia, afirma Plínio. Camões nos “Lusíadas”, Canto Terceiro, diz ter sido a Lusitânia derivada de Luso e Lisa, os primeiros íncolas da “ditosa pátria minha amada.”

Portugal tem uma variada quantidade de castas autóctones ou cepas nativas (cerca de 500), produtoras de uma vasta gama de vinhos dos mais diferentes tipos e qualidades.

As castas particulares conferem a Portugal o diferencial de distinção e personalidade. Mas esse diferencial traz, paradoxalmente, dificuldades, pois é mais fácil vender “cabernet sauvignon” ou outra casta internacional.

“A uva foi introduzida em Portugal pelos fenícios, muito antes dos romanos, então temos cepas tão tradicionais quanto as francesas”, comenta Luís Pato, um dos mais conceituados produtores portugueses, da região da Bairrada.

A partir da década de 90, observa-se um grande esforço dos produtores portugueses para a regulamentação, a modernização e a adaptação de seus vinhos ao gosto do mercado internacional, e atualmente os vinhos portugueses despontam em concursos e avaliações internacionais.

Eça de Queiroz, em “Os Maias”, descreve os costumes e os hábitos da rica família de Afonso da Maia. Instalada no Ramalhete, casarão enriquecido com um quadro de Rubens (Cristo) e um quadro de Constable (retrato da condessa de Runa), situado no bairro Benfica, Lisboa, a família Maia só servia vinhos franceses, e Eça os cita pela região (Bordeaux, St. Emilion, Chambertin, Chablis e, para a sobremesa, Sauternes). O licor sempre oferecido é o Chartreuse. Mas Eça sempre se refere ao vinho do Porto (O marquês de Pombal, ao criar a Companhia Geral de Agricultura do Alto Douro, delimitou as fronteiras de produção do vinho do Porto e estabeleceu regras para a produção).

Quase todas as regiões de Portugal produzem vinhos. Merecem destaque: Alentejo, Bairrada, Douro, Dão, Minho (vinhos verdes), Setúbal.

Alentejo

O Alentejo, Sul de Portugal, virou moda. Tornou-se uma estrela na produção de vinhos de alto padrão e ganhou o reconhecimento no mercado internacional. O nome Alentejo, como região produtora de vinhos de qualidade, apareceu nos últimos 20 anos, mas a vinha é plantada nessa região desde 1221. Évora, pequena cidade de 40 mil habitantes, é a capital do Alentejo.

Entre as castas tintas mais usadas na região, destacam-se a “periquita” ou “castelão francês” (aroma agradável, frutado e macio); a “trincadeira” (frescura e grau alcoólico favorável); e a “aragonez” (de cor tinta carregada dando “corpo” aos vinhos). A região também produz as cepas francesas, como a “syrah” e a “cabernet sauvignon”. Entre as castas brancas, sobressaem: a “roupeiro”, a “rabo de ovelha”, a “antão da faz”.

O vinho mais famoso do Alentejo é o Pêra Manca, tinto. Ele vem despontando como um dos símbolos de Portugal. O Pêra Manca, branco, menos caro em relação ao tinto, também é de excepcional qualidade.

João Portugal Ramos produz vinhos de prestígio. A Quinta do Carmo produz vinhos sob o controle do Château Lafite-Rothschild.

Outros vinhos de prestígio: Tapada do Chaves, os vinhos da fundação Eugênio de Almeida, Redondo, Cooperativa de Reguengos de Monsaraz e o Esporão Garrafeira.

Bairrada

Localizada na Beira Litoral, entre Porto e Coimbra, a Bairrada cultiva a vinha há muito tempo, mas a demarcação só ocorreu em 1979.

A uva típica da região é a “baga”, produtora de vinhos duros, alcoólicos, de grande longevidade.

A Bairrada é a segunda melhor região vinícola de Portugal, afirma Luís Pato, eleito o “produtor do ano” em Portugal pela revista “Wine & Spirits”, em 2001. Ele reconhece: “Nunca faremos vinhos como os do Alentejo, pois lá o clima é muito quente, o que gera vinhos fáceis de beber. Por outro lado, não têm a longevidade dos Bairrada.”

Os portugueses fazem “vinhos tão bons quanto os franceses, mas com características próprias”, diz Luís Pato. “Essa a nossa grande vantagem”, complementa.

Na Bairrada, observa Luís Pato, “estamos tentando fazer vinhos que sejam fáceis de beber quando jovens, o que é uma tendência do Novo Mundo, mas que têm capacidade de envelhecimento, como os grandes vinhos do Velho Mundo.”

“Alguns enólogos ingleses comparam os Bairrada aos melhores italianos, como o Barolo, e aos franceses da Borgonha, pois, no início, mostram taninos semelhantes aos do Nebiolo e, quando envelhecidos, mostram aromas do Pinot Noir”, avalia Luís Pato sobre os vinhos de sua região.

Messias, Caves Aliança, Caves São João e Império são vinícolas conhecidas na região, além de Luís Pato.

Douro

O Douro produz o famoso Vinho do Porto e também passou a produzir o vinho de mesa, adotando regulamentação em 1982.

O vinho de mesa utiliza as mesmas castas integrantes do Vinho do Porto (“touriga nacional”, a principal, “touriga francesa”, “tinta cão”, “tinta roriz” e “tinta barroca”).

O Vinho do Porto é uma designação geográfica de origem e não um tipo de vinho, pois existem vários tipos de vinhos sob o título Vinho do Porto (“branco”, “tinto” ou “ruby”, “aloirado” ou “tawny”, “vintage”, LBV).

O “branco” é excelente aperitivo, a ser consumido levemente gelado, e combina com canapés, carnes fritas e queijo fresco.

O “ruby” é vinho jovem e combina com sobremesas, frutas, queijos leves e queijos fortes; uma vez aberto, deve ser consumido em poucas semanas.

O “tawny” é vinho envelhecido e, quanto mais velho, mais nobre. Combina com amêndoas, chocolate, queijos fortes e doces.

O mais antigo vinho de mesa do Douro é o Barca Velha, um vinho bem encorpado, tânico e concentrado, criado em 1952 por Fernando Nicolau de Almeida, enólogo da Casa Ferreira, adquirida em 1980 pela Sogrape, um dos principais grupos vinícolas de Portugal.

Dão

A região do Dão produz vinhos com cepas locais (até nove cepas: “touriga nacional” – 20%, “alfrocheiro preto”, “bastardo”, “jaen”, “tinta pinheira” ou “tinta roriz”). Essas cepas locais conferem aos vinhos tipicidade: as características do “terroir” local. O vinho bem produzido tem muita adstringência, uma bela cor rubi e aroma típico. Existem duas classificações de qualidade: reserva ou garrafeira. Para ter o título garrafeira, o vinho deve ficar dois anos em madeira e aguardar mais um ano em garrafas, antes de ir ao mercado.

Minho

Uma das regiões vinícolas mais antigas de Portugal, produz os vinhos verdes, tipo de vinho muito particular, sem similar em qualquer outro país: ligeiramente gaseificado (lembra um frisante), de baixo teor alcoólico e alta acidez, para ser consumido bem gelado. O tinto se harmoniza bem com a comida gordurosa típica da região.

Os vinhos se classificam em (informalmente): tradicionais e especiais. Os tradicionais são produzidos pelas cooperativas e pelos grandes comerciantes (os mais conhecidos: Quinta da Aveleda, Gatão, Gazala, Acácio, Casal Garcia e Casalinho) Os especiais indicam as cepas, são mais frutados, mais aromáticos, não têm tantas agulhas (gás) e se afastam da tradição de acidez elevada.

Alvarinho da Monção é considerado o melhor vinho verde (a uva Alvarinho é a estrela da região).

Península de Setúbal

Próxima de Lisboa, a península de Setúbal faz o Periquita, um dos vinhos mais conhecidos de Portugal, produzido pela empresa de José Maria da Fonseca & Sucessores (detentora do direito exclusivo do uso do nome Periquita). José Maria da Fonseca, há cem anos, comprou a Quinta da Periquita e plantou a uva “castelão francês”, a qual, com excelente adaptação, passou a ser chamada de “periquita”.

José Maria da Fonseca também produz vinhos na região da Bairrada.

Outra empresa de destaque na península de Setúbal é a João Pires (JP Vinhos). Vinícola moderna, produz vinhos com cepas portuguesas e também com cepas francesas, como o Quinta da Bacalhoa (“cabernet sauvignon” & “merlot”), um vinho de classe, e o Quinta da Má Partilha (“merlot”), normalmente bom e pode chegar a excelente.

O Cova da Ursa, da JP Vinhos, é um “chardonnay” puro-sangue, um dos melhores brancos de Portugal, de muito bom a excelente.

O vinho “João Pires”, feito com a “moscatel”, aromático, fresco e muito agradável, é um dos melhores moscatos brancos do mundo e deve ser tomado jovem.

A península de Setúbal faz ainda o Moscatel de Setúbal, um vinho fortificado e doce, excelente principalmente quando velho. José Maria da Fonseca & Sucessores domina a produção.

“Vinhos de Portugal”

João Paulo Martins, autor de “Vinhos de Portugal”, recomenda: Pêra Manca 97 e o Marques de Borba Reserva 2000, do Alentejo; Quinta dos Roques Encruzado 2001, branco, e Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2000, tinto, do Dão; Quinta da Cortesia Reserva 99 e o Quinta de Pancas Premium 99, da Estremadura; Coleção Privada Domingos Soares Francos Touriga Nacional 2001, da Península de Setúbal. Outros vinhos eleitos entre os melhores: Chyseia, Quinta de Roriz, Quinta do Vale Meão, Batuta e Barca Velha 95.

O “The New York Times” publicou, em dezembro/2002, o resultado da degustação de 22 vinhos portugueses, realizada por quatro degustadores liderados por Frank Prial, colunista do jornal. O vinho mais apreciado foi o Esporão Reserva 1999. Em seguida, vieram: Vila Santa 1999, de João Portugal Ramos, o Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 1999 e o Incógnito 2000.

BARCA VELHA - Primeiro vinho de mesa de Portugal a alcançar reputação internacional, criado a partir da safra de 1952 por Fernando Nicolau de Almeida, enólogo da Casa Ferreira, o ´Barca Velha´, produzido na região do Douro, tem a primazia entre os vinhos míticos portugueses. Fernando Almeida acreditou na possibilidade de elaborar tintos de mesa com a mesma filosofia de produção dos Portos Vintage. O ´Barca Velha´ 1982 é o último assinado por Fernando Almeida. O seu discípulo José Maria Soares Franco passou a ser o responsável a partir da safra de 1983, ano no qual a Casa Ferreirinha foi vendida à Sogrape. Lançado em 2006, o ´Barca Velha` 1999 marca uma mudança estilística no corte do vinho (Tinta Roriz, 30%; Touriga, 30%; Tinta Cão, 10%), produzido totalmente com uvas da ´Quinta da Leda´, de propriedade da Sogrape (antes, ´Quinta do Vale Meão´) (Gazeta Mercantil, São Paulo 01 set. 2006, p. C-8).

PERA-MANCA – Barca Velha e Pera Manca são os vinhos ícones de Portugal, afirma Marcelo Copelllo, editor-chefe da revista Adega. A partir de 1990, o Pera Manca é elaborado pelo setor vinícola da Fundação Eugênio de Almeida (FEA), criada em 1963 para apoiar o desenvolvimento da região de Évora. A FEA também elabora o Cartuxa Garrafeira. Produzido em anos excepcionais (vindimas de 1990, 1991, 1994, 1995, 1997, 1998 e 2001; nos demais anos, as garrafas são rotuladas como ´Cartuxa Reserva´), o Pera Manca não tem fórmula fixa, mas a base é sempre das castas Aragonez (também chamada de Tinta Roriz no Norte de Portugal e de Tempranillo na Espanha) e Trincadeira. A marca Pera Manca foi cedida à FEA pelo dr. José Antônio de Oliveira Soares, herdeiro da Casa Agrícola José Soares, produtora do vinho até 1920, quando faleceu seu proprietário. O Pera Manca (de ´pedras mancas´) elaborado pela Casa Agrícola José Soares chegou a colecionar importantes prêmios internacionais, como medalhas de ouro em Bordeaux em 1897 e 1898 (Gazeta Mercantil, São Paulo, 08 set. 2006, p. C-4).

DOURO – Em 10 set. 1756, Sebastião José de Carvalho e Melo, marquês de Pombal, criou a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro com o objetivo de, com base em legislação específica, controlar a produção e o comércio dos vinhos da região do Douro, em Portugal, à época quase totalmente dedicada à produção do vinho do Porto, divulgado internacionalmente pelos ingleses. A introdução desse controle assegura ao Douro (terra de dona Antonia Adelaide Ferreira, a famosa Ferreirinha, 1881-1896, produtora das marcas Ferreira e Ferreirinha, hoje pertencentes à Sogrape) o privilégio de ter sido a primeira região demarcada de vinhos, embora a região do Chianti, na Toscana, Itália, e a região de Tokay, na Hungria, reivindiquem o título (Chianti alega ser região demarcada a partir de 1716 e Tokay a partir de 1734). A uva predominante no Douro é a ´Tinta Roriz´. São categorias de vinho do Porto: Late Botled Vintage, Vintage Character, Ruby (o mais simples), Tawny (aloirado) e Colheita, além dos Vintage (em anos de safras destacadas no quesito qualidade, o ano é denominado Vintage pelo Instituto do Vinho do Porto) (Forbes Brasil, São Paulo: Ed. JB, nº 143, 01 nov. 2006, p. 86).