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ARTIGOS



VINHOS ITALIANOS

O marquês Piero Antinori, italiano, o principal produtor de vinhos da Toscana, é um dos produtores de nova geração de vinhateiros. A partir de 1960, essa nova geração implementou soluções para aprimorar a qualidade do vinho italiano, e realmente conseguiu transformar a imagem do vinho italiano a partir de 1979, quando o "Sassicaia" ganhou o concurso de melhor "cabernet sauvignon" promovido pela revista "Decanter", inglesa, envolvendo 11 países.

Antes, a imagem do vinho italiano era de bebida de quantidade em detrimento da qualidade; a grande maioria dos vinhos italianos era de qualidade inferior, com algumas exceções (os "Barolos" e os "Brunellos").

Antinori introduziu mudanças técnicas na produção do vinho, assim como introduziu o uso de castas estrangeiras não permitidas na região toscana, como a francesa "cabernet sauvignon" (início da produção dos vinhos "fora da lei").

Muitos dos vinhos que refizeram o nome da Itália são produzidos hoje com castas estrangeiras, embora preservem, na opinião dos vinhateiros italianos, o inconfundível caráter italiano, capaz de distingui-los dos exemplares californianos, chilenos ou australianos, feitos com "cabernet sauvignon", de difícil distinção da origem.

Antinori, italiano visitou São Paulo e Rio de Janeiro, em fevereiro/2002, promovendo suas linhas de vinho, vendidas no Brasil pela "Expand Group". Ele assumiu os negócios da família em 1966 e representa a 26ª geração de vinhateiros, seguindo uma tradição de mais de 600 anos.

Antinori é o produtor, dentre outros, dos seguintes vinhos (rótulo "Marchese Antinori"):

- Solaia", toscano, corte de 75% de "cabernet sauvignon", 20% de "sangiovese" e 5% de "cabernet franc" (a revista "Wine Spectator", americana, elegeu em 2000 o "Salaia" 1997 o melhor vinho do mundo);

- "Santa Cristina", vinho básico, corte de "sangiovese" & "merlot" (ganhou em 1998 da revista "Civilitá del Bere", italiana, o prêmio de melhor custo/benefício do ano);

- "Guado Al Tasso", toscano, corte de 60% de "cabernet sauvignon", 30% de "merlot" e 10% de "syrah";

- os vinhos tradicionais "Chianti" (o "Tenute Marchese Antinori" e o "Villa Antinori"), "Vino Nobile di Montelpuciano", "Brunello di Montalcino" e outros.

Em 1971, Antinori produziu, pela primeira vez, o "Tignanello", corte de 80% de "sangiovese", 15% de "cabernet sauvignon" e 5% de "cabernet franc", considerado o primeiro "supertoscano", expressão indicadora dos vinhos toscanos com alta qualidade e preços, apesar de a lei italiana classificá-los apenas como "vino da tavola". O "Tignanello" não deixa de ser um "Chianti" modificado e refinado.

Alerta Piero Antinori sobre o renascimento do vinho italiano: "O processo, contudo, ainda não está concluído. 60 a 70% dos vinhos da península ainda precisam melhorar sua qualidade."

Conclui ele: "O vinho se faz não só de uvas, mas de pessoas e idéias."

Além de Antinori, integram a elite de bons produtores de vinhos italianos (da Toscana e do Piemonte, as duas principais regiões), dentre outros:

- "Tenuta San Guido", produtor do "Sassicaia", corte de "cabernet sauvignon" e pequena quantidade de "cabernet franc" (como já se disse, eleito em 1979 o melhor "cabernet sauvignon", o primeiro reconhecimento do vinho italiano);

- "Angelo Gaja", do Piemonte, produtor do "Darmagi" (prêmios em todo o mundo);

- "Castello di Ama", produtor do "Vigna L'Apparita", um "merlot" 100%;

- "Tenuta dell'Ornellaia" (de Lodovico Antinori, primo de Piero Antinori), produtor do "Ornellaia" (a revista "Wine Spectator" o elegeu em 2001 como o melhor vinho do mundo).

- temos ainda na Toscana, "Castello di Rampolla"; "Fattoria di Felsina"; "Castello Banfi"; e "Biondi Sandi";

- temos ainda no Piemonte: "Elio Altare"; "La Spinetta"; "Paolo Scavino"; "Aldo Conterno"; e "Domenico Clerico".


Angelo Gaja

Angelo Gaja, italiano, é um dos vinhateiros mais importantes e premiados da Itália. Giuseppe Gaja, seu bisavô, fundou em 1859 a vinícola Gaja, em Barbaresco, no Piemonte.

A Itália, até os anos 80, exportava vinhos baratos. Mas alguns vitivinicultores italianos passaram a investir na qualidade e lentamente mudaram aquela realidade, e os vinhos italianos conquistaram no exterior prestígio de qualidade e melhor preço. Por seu turno, os consumidores passaram a entender a grande garantia do vinho: o nome do produtor e não denominação de origem.

A denominação de origem determina apenas um mínimo de padrão, mas não de qualidade, lembra Marcelo Copello, o qual afirma: a classe e a qualidade dependem da vontade e da capacidade do produtor. Copello adverte: "Os Chianti continuam irregulares, indo dos quase intragáveis aos excelentes."

O vinho italiano, sugeriu Gaja em agosto/2002, deve ser posicionado em três níveis: 1º) os vinhos tradicionais, como o Chianti, com volume significativo, capaz de ocupar o mercado internacional com grandes resultados; 2º) os vinhos de uvas autóctones (aquelas que só a Itália possui), com as quais "é possível fazer vinhos de um nível impensável"; 3º) os vinhos de variedades internacionais, como a "cabernet sauvignon", nicho no qual "é importante fazer bebida de qualidade, sem deixar que se torne banal".

"A Itália deveria ser capaz, pela formação geográfica, pela riqueza e pela história, de competir nos três nichos", observa Gaja, o qual destaca ter a Itália mais de 250 variedades de uvas autóctones. "É um patrimônio riquíssimo", diz ele.

Gaja, nas castas internacionais, apostou com seu vinho "Darmagi" (dialeto piemontês significando "que pecado"), feito com "cabernet sauvignon", vinho magnífico e original.

Os bons resultados do "Darmagi" em concursos divulgaram o nome da vinícola Gaja no exterior e a ajudaram a vender o Barbaresco, seu principal produto.

No "ranking" dos 50 maiores vinhos da Itália, elaborado em fevereiro/2001 pela "Wine Spectator", Gaja conseguiu colocar o seu "Sori San Lorenzo" como o número 1, bem como colocou na lista três outros vinhos: o "Costa Russi" (3º lugar); o "Sori Tildin" (14º); e o Barbaresco (22º).

"O vinho de Gaja vale o preço até o último centavo", disse Robert Parker, americano, crítico.


Castas

As principais castas italianas são:

- a uva "sangiovese", produtora do "Chianti" (vinho seco e pode ser de pouco encorpado a bem-encorpado); Chianti é uma região localizada no centro da Toscana, onde se encontra Florença, e o "Chianti" do distrito de Clàssico, corte de 100% de "sangiovese", é o mais recomendado;

- a uva "sangiovese-grosso" (antes chamada "brunello"), produtora (corte de 100%) do "Brunello di Montalcino" (vinho bem mais encorpado, intenso, complexo e longevo em relação ao "Chianti"); Montalcino é o nome de uma cidade, localizada no sul da região de Chianti;

- a uva "nebbiolo", produtora (corte de 100%) do "Barolo" e do "Barbaresco" (vinhos robustos, secos e tânicos), chamados de estrelas gêmeas do Piemonte; Barolo e Barbaresco são duas aldeias localizadas perto da cidade de Alba; a uva "nebbiolo", conhecida na área próxima da cidade de Gattinara como "spanna", também produz o "Gattinara", corte de 90%, vinho mais barato que "Barolo" e "Barbaresco";

- a uva "montepulciano", de origem toscana, produtora do vinho "Montepulciano D'Abruzzo" (encorpados e com boa presença de taninos); Abruzzo é uma região localizada no centro da Itália;

- a uva "barbera", muito cultivada no Piemonte, produtora de vinhos com pouco tanino;

- a uva "dolcetto", também muito cultivada no Piemonte, produtora de vinhos jovens;

- a uva "rondinella" e uva "molinara", ambas autóctones da região de Veneto, produtora dos vinhos das denominações "Valpolicella", "Valpantena" e "Amarone";


- a uva "prosecco", autóctone da região de Veneto, produtora do vinho "Prosecco";

- a uva "garganega", também autóctone da região de Veneto, produtora do vinho "Soave".


Classificação

O vinho divide-se em duas categorias: vinho de qualidade (DOCG e DOC) e vinho de mesa (IGT e VdT).

Os melhores vinhos italianos são os "DENOMINAZIONE DI ORIGINE CONTROLLATA E GARANTITA (DOCG)".

Os "DENOMINAZIONE DI ORIGINE CONTROLLATA (DOC)" são vinhos produzidos a partir de variedades de uvas específicas, cultivadas em zonas específicas, e envelhecidos de acordo com métodos recomendados.

Os vinhos "INDICAZIONE GEOGRAFICA TIPICA (IGT)" são uma versão italiana da categoria francesa "vin de pays".

Os vinhos "VINO DA TAVOLA (VdT)" correspondem à classificação mais básica.


BAROLO

O vinho, surgido na década de 1850, elaborado com a uva "nebiollo", "é escuro, robusto, seco e estável, com um potencial de envelhecimento praticamente ilimitado", diz Hugh Johnson. Ele complementa: "As referências à 'nebiollo' como a casta favorita do Piemonte remontam ao século XIII". O marquês Faletti iniciou a produção do Barolo (nome de aldeia no Piemonte, onde se localizam o Castelo de Barolo e o Castelo Della Volta).


BRUNELLO DI MONTALCINO

Montalcilno é uma cidade situada a 40 km ao sul de Siena, no coração da Toscana.

O prestigío de Montalcino fundamentou-se na raridade e no "glamour" do vinho "Brunello di Montalcino", produzido a partir de 1888 por Ferrucio Biondi-Sandi.

Ele observou em seu vinhedo uma mutação da uva "sangiovese" (a mesma do Chianti): algumas parreiras produziam cachos compactos, com uvas menores e de película mais espessa, e essas uvas produziam vinho mais concentrado e receberam o nome de "brunello".

Mas uma expansão descontrolada da área vinícola, elevada em 1985 ao "status" de "Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG), começou antes de 1980. A produção aumentou quase o triplo em 15 anos, e o preço da garrafa de alguns rótulos de "Brunello di Montalcino" está desproporcional à qualidade oferecida.

O vinho "Brunello di Montalcino" deve permanecer 2 anos em tóneis de carvalho e, depois de engarrafado, permanecer 4 anos na adega antes de ser distribuído; no caso de "Riservas", são 5 anos.

O vinho deve ser aberto 24 horas antes para poder exprimir suas qualidades, alerta Francisco Biondi-Santi, neto do pioneiro. Alegando esse motivo, ele proibiu a participação do vinho em degustações comparativas.

Produzido com a mesma uva "brunello", o vinho "Rosso de Montalcino" é uma opção mais em conta e é menos envelhecido.


CHIANTI

A região ganhou a "Denominação de Origem Controlada (DOC)" em 1966, elevada à "Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG)", grau mais alto da lei italiana, em 1984.

A região se subdivide em sub-regiões: Chianti Clássico (entre Siena e Florença); Chianti Colli Fiorentini (próximo a Florença); Chianti Rufina; Chianti Montalbano; Chianti Colline Pisane (das colinas de Pisa); Chianti Colli Senesi (ao redor de Siena); Chianti Colli Aretini (próximo a Arezzo). O vinho Chianti com apenas a palavra "Chianti" em seu rótulo se origina de partes menos nobres da região.

A sub-região Chianti Clássico não é garantia de qualidade, mas a maioria dos bons vinhos provém daí. A denominação de origem determina apenas um mínimo de padrão, mas não de qualidade, lembra Marcelo Copello, o qual afirma: a classe e a qualidade dependem da vontade e da capacidade do produtor. Copello adverte: "Os Chianti continuam irregulares, indo dos quase intragáveis aos excelentes."

Simbolizado pelo "Gallo Nero" (galo negro), o vinho Chianti é dividido em duas categorias: "riserva" (envelhecido 38 meses, mais corpo e álcool, mais caráter e estrutura) e "normale" (envelhecido de quatro a sete meses, jovem e leve).

O barão Bettino Ricasoli (1808-1890) estabeleceu o padrão do Chianti moderno com o seguinte corte: 70% da uva tinta "sangiovese", a qual lhe dá o caráter, o corpo e a cor; 20% da uva tinta "canaiolo", a qual contribui com a maciez; e 10% das uvas brancas "trebbiano" e "malvasia", as quais conferem leveza e frescor à mistura.

São alguns dos bons exemplares disponíveis em nosso mercado, na opinião de Marcelo Copello: como excelente, Chianti Classico Riserva, 1997, Castello di Fonterutoli (US$ 59,00), e Chianti Classico Castello di Brolio, 1998, Barone Ricasoli (R$ 176,00); como muito bom, Chianti Classico, 1999, Badia a Coltibuono (US$ 24,50); Chianti Classico, 1999, Isole e Olena (US$ 36,50); Chianti Classico Castello di Monna Lisa Riserva, 1997, Vignamaggio (US$ 41,00), e Chianti Classico Cellole Riserva, 1998, San Fabiano (R$ 94,80).


Vinitaly

A "Vinitaly", exposição de vinhos italianos, acontece todos os anos, no mês de abril, em Verona, Itália. Em 2003, ocorreu a 37ª edição da "Vinitaly", com 4 mil expositores, e ofereceu um painel amplo e profundo de toda a produção italiana.