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ARTIGOS



ARTE "NAIF", ARTE POPULAR, ARTE FOLCLÓRICA & ARTE PRIMITIVA

Jorge Amado observou: "Sou daqueles que acham que a única pintura (falo de pintura, não de gravura e desenho) brasileira que possui caráter realmente nacional e se expressa numa forma decorrente de nossa cultura mestiça é a pintura 'naif', ingênua, primitiva - cada um escolha a designação que lhe pareça melhor."

Anatole Jakovsky, escritor, crítico de arte, avaliou: "Os pintores 'naifs' são os únicos pintores da Terra nos quais não se encontram traços ou reminiscências de Van Gogh, de Cézanne e de Picasso." Ele afirmou sobre a arte "naif": "A pintura mais direta, mais sincera e a menos encravada pelas convenções."

Lucien Finkelstein, fundador e presidente do Museu Internacional de Arte Naif do Brasil (MIAN), comenta: "Muitos 'naifs' brasileiros são reconhecidos no exterior, como Chico da Silva, que ganhou o prêmio 'Menção Honrosa' de pintura, em 1966, na 33ª Bienal de Veneza, a mais importante exposição mundial de arte contemporânea. O prêmio de Chico da Silva é um feito único para a pintura brasileira de todos os tempos."

Explica Lucien Finkelstein, francês radicado no Brasil: "O adjetivo francês 'naif' vem do latim 'nativus', que significa nascente, natural, espontâneo, primitivo. Assim, pode ser substituído também por ingênuo e primitivo, mas as três palavras devem ser tomadas ao pé da letra. Todas têm origem no latim: ingênuo vem de 'ingenuus' (nascido livre) e primitivo, de 'primitivus' (que pertence ao primeiro estado de uma coisa). Essas três definições poderiam servir para caracterizar a pintura 'naif', que é natural, livre e pura."

Os "naifs" pintam sem regras e sem constrangimentos, mas são criadores de suas obras, de personalidade própria. Eles são, em geral, autodidatas. Sua pintura não é ligada a nenhuma escola ou tendência.

A pintura "naif" se distingue da arte popular porque o artista "naif" mostra personalidade própria e independência, enquanto o artista popular segue uma tradição de estilo bem demarcado e modelos precisos. O artista popular perpetua usos e costumes de um povo. Ele simplesmente repete obras em série, de acordo com as formas e a técnica que aprendeu.

A pintura "naif" também se diferencia da arte folclórica, a qual também é uma arte coletiva e anônima como a arte popular. Na arte folclórica, o artista, sem criatividade, executa uma tradição e utiliza as formas, os moldes e os materiais habituais que lhe foram legados. Os artistas populares e os artistas folclóricos expressam valores de comunidades e grupos étnicos aos quais estão ligados.

O artista "naif", no entanto, produz, com estilo próprio, criações únicas, trabalha livremente e não se preocupa com os outros nem com suas opiniões. Mas a arte "naif" tem afinidades com a arte popular e, mais ainda, com a arte folclórica, basicamente pelo caráter de simplicidade, pureza e ingenuidade.

Por essas mesmas características, a arte "naif" tem afinidades também com a arte primitiva. O artista primitivo faz uma arte baseada na cultura de seu povo, geralmente dedicada aos rituais religiosos e sociais. A evolução histórica da arte primitiva permite acompanhar as transformações da espécie humana.

Henri Rousseau, francês, foi o primeiro "naif" moderno a ser exposto e valorizado. Disse Rousseau a Picasso, em um dia de 1908: "Nós somos os dois maiores pintores de nosso tempo, você no gênero eípcio e eu no gênero moderno."

Picasso comentou sobre Rousseau: "Rousseau não é um caso. Ele representa a perfeição de uma certa ordem de pensamento." Em outra oportunidade, Picasso afirmou: "O velho Rousseau era um colorista genial."

O Brasil, a França, a ex-Iugoslávia, o Haiti e a Itália são os "cinco grandes" da arte "naif" no mundo. A pintura "naif" brasileira é muito rica, devido à diversidade de temas relativos à fauna, à flora, ao sincretismo religioso e às várias etnias.

Lucien Finkelstein aponta em seu livro "Brasil Naif", editado em 2001, os seguintes artistas cearenses: 1º) na qualidade grandes artistas: Chico da Silva (1910-1985) e Grauben (1889-1972), de Iguatu; 2º) outros naifs de talento: Beth Queiroz (1952-1995), de Fortaleza; Berenic (1945), do Crato; Ermelinda (1947), de Fortaleza; Gerardo de Souza (1950), de Guaraciaba do Norte; Menezes de Souza (1963), de Ibiapina; Odete (1947), de Fortaleza; Pedroso (1935), do Crato.