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ARTIGOS



PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

A Alemanha tem 2,8 mil bancos e tem 3 milhões de pequenas e médias empresas (Mittelstand), a espinha dorsal de sua economia.

O Brasil tem 175 bancos e tem 2,108 milhões de empresas, sendo 92,8% microempresas, de acordo com estudo do BNDES com base em 1999.

O BNDES conclui que as microempresas são as principais responsáveis pela geração de emprego e representam um papel importante na renovação da economia brasileira.

O mesmo estudo aponta que 48,4% das empresas brasileiras têm menos de quatro anos de existência, porque a taxa de mortalidade é alta: 18% fecham no primeiro ano de vida; 35,7% nos dois primeiros anos; e 47,7% antes de completar o terceiro aniversário.

A Receita Federal acusa o seguinte perfil de empresas, ano-base de 1997: 1,95 milhão de pequenas e médias empresas optantes do regime fiscal do Simples, as quais geraram uma receita de R$ 85 bilhões; 10.565 empresas classificadas como pequenas ou médias fora do Simples (receita bruta entre R$ 10 e 300 milhões), as quais geraram uma receita de R$ 387 bilhões; 414 mil empresas optantes do regime de lucro presumido e 152 mil empresas optantes do regime de lucro real. As micro, pequenas e médias empresas responderam por 65,9% do emprego formal (universo de 24,1 milhões de trabalhadores).

O IBGE aponta 1,038 milhão empresas do comércio em 1999 (719 mil em 1989); a receita total cresceu de R$ 378,2 em 1989 para R$ 392,8 bilhões 1999 (3,86%), mas a receita por empresa caiu de R$ 525,9 para R$ 378,3 mil (-28,07%); a participação do PIB aumentou de 6,30% para 7,30%.

O BNDES em 2001 também realizou estudo sobre o mercado varejista nacional. Esse estudo traz duas considerações:

1ª) à medida que as lojas de vizinhança (os supermercados) forem atuando com preços menores, haverá transferência cada vez maior de compras dos hipermercados para esses supermercados;
2ª) a concentração do mercado nas mãos de poucos não vai acabar com os pequenos comerciantes. "O processo de concentração não deverá impedir a sobrevivência das pequenas redes, com atuação localizada, que disponham de um bom nível tecnológico e adequada política de atendimento e serviços", sentencia o BNDES.
O mercado brasileiro de confecções é composto de 18 mil fabricantes, que produzem 4 bilhões de peças por ano (US$ 18 bilhões em 99), vendidas por 363 mil lojistas.

O setor de "food service", que cresceu 167% em seis anos, responde por cerca de 25% das refeições realizadas fora do lar; o faturamento das redes de "fast food" saltou de US$ 2 bilhões em 95 para US$ 3 bilhões em 2000; o número de restaurantes passou de 400 mil em 91 para 756 mil em 97.

O Brasil é o 2º mercado mundial de "fitness" (mercado da estética ou da beleza, saúde e bem-estar, envolvendo a produção do setor de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria, bem como os spas, as clínicas de estética e das redes especializadas, etc.), um setor que cresce 15% ao ano e já emprega dois milhões de pessoas.

O Brasil é o 1º colocado no ranking mundial em número de farmácias (50 mil lojas, ou 3,34 para cada 10 mil habitantes); e é o 8º colocado no ranking mundial dos maiores consumidores de medicamentos (o movimento é de cerca de US$ 8 bilhões por ano).

Sheila Najberg, economista do BNDES, observa que "iniciativas que facilitem o crédito podem levar a efeitos muitos positivos na redução da mortalidade" das empresas.

Com 42% das indicações, a falta de capital de giro é o fator mais apontado como causa de fechamento das empresas, de acordo com levantamento do Sebrae abrangendo micro, pequenas e médias empresas que encerraram as atividades.

Conhecido pela sua força de sua capacidade empreendedora, o Brasil deixou de ser o país com mais empreendedores (proporção de empreendedores por grupos de 100 adultos): caiu do 1º lugar em 2000 para o 5º lugar em 2001, de acordo com o estudo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) da London Business School, do Reino Unido, e do Babson College, dos Estados Unidos. México, Nova Zelândia, Austrália, Coréia ultrapassam agora o Brasil.

Parece-nos que, no Brasil, a alta taxa de mortalidade das iniciativas e a falta de estímulo está inibindo os empreendedores.

Paul Reynolds, um dos coordenadores do GEM, observa que, se o Brasil continuar a reduzir o nível da atividade empreendedora, em percentual semelhante no próximo ano, ele ficará preocupado.

O GEM ressalta: "o crescimento da economia é influenciado diretamente pelo nível da atividade empreendedora e, por isso, é tão importante que, cada vez mais pessoas, em um país, estejam iniciando um novo negócio".

O GEM indica que, no Brasil, entre os principais empecilhos para o desenvolvimento da atividade empreendedora, estão a falta de tradição em capital de risco e acesso a recursos em geral.

Sugere o GEM que:

1º) os programas de financiamento, dada a extensão territorial e a diversidade do Brasil, deveriam ser descentralizados e preparados regionalmente;
2º) há necessidade urgente de estimular a prática e a cultura de capital de risco local; 3º) há necessidade de melhorar o sistema educacional para incentivar uma cultura empreendedora entre jovens adultos (há pouca integração entre os estudos secundário e de graduação, assim como "as universidades permanecem afastadas da comunidade empreendedora e se engajam em projetos de pequena relevância comercial").

Na Alemanha, as pequenas empresas dizem que os grandes bancos não são seus amigos; os grandes bancos, acreditam elas, perderam o interesse por pequenos negócios; as pequenas empresas culpam as diretrizes bancárias internacionais, conhecidas como Basiléia 1 e Basiléia 2 (em negociação). Os grandes bancos dizem estar interessados em atender as pequenas e médias empresas; mas com isso querem dizer que lhes interessam somente as empresas maiores, comenta The Economist, Valor de 18.12.2001.

No Brasil, o Banco Central já incentivou as pequenas e médias empresas através da linha de crédito regulamentada pelas Resoluções números 695, 1.097 e 1.116, todas revogadas; os bancos direcionavam recursos para o capital de giro das pequenas e médias empresas e contavam com a redução do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista.

A ABANCE, em fevereiro/1998, e a FEBRABAN, em novembro/1999, sugeriram ao Banco Central o restabelecimento de linha de crédito em favor das pequenas e médias empresas.

O Banco do Brasil é o líder como financiador de microempresas (quase R$ 700 milhões), de acordo com o ranking do BNDES. O Bradesco ocupa a 2ª posição (R$ 450 milhões).

O presidente do Banco Itaú, Roberto Setúbal, anunciou em 2001 que seu banco criou uma área especializada para atender pequenas e médias empresas (faturamento anual entre R$ 500 mil e R$ 4 milhões).

O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, lembra que, no ano 2000, sua instituição implantou uma área para melhorar o relacionamento com as pequenas e médias empresas.