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ARTIGOS



INFORMAÇÃO & DESINFORMAÇÃO

A informação só se transforma em conhecimento pela interpretação.

Russ Kick, jornalista americano, autor de "You Are Being Lied To" (Ed. The Desinformation Company), assevera: é uma mentira desvalada a afirmação de que os ataques de 11 de setembro pegaram o governo dos EUA totalmente de surpresa.

Kick especializou-se em "informação alternativa": "é o tipo de informação que alguém tenta esconder". Ele implantou o site www . alternewswire . com, em resposta ao problema de se ter de vasculhar tantas fontes de notícias ("mainstream" e alternativas, nacionais e estrangeiras).

Explica Kick: "Há uma enormidade de informação que as pessoas desconhecem por uma variedade de razões. Na maioria das vezes é porque ela embaraçaria interesses poderosos". Complementa ele: "É por isso que as bancas de jornal ignoram que uma gigantesca corporação alimentícia dos EUA matou, recentemente, 15 pessoas com carne contaminada e que Israel comanda o maior círculo de espionagem já descoberto nos EUA".

Kick acha que o jornalismo virou parte do jogo corporativo: "Nos EUA, todos os grandes jornais, revistas e emissoras de notícias pertencem a grandes corporações. Outros países estão enfrentando o mesmo, embora acredite que a maioria ainda tenha alguma mídia independente de peso - como o jornal 'The Guardian', na Grã-Bretanha".

As grandes corporações não querem sua imprensa batendo forte com reportagens embaraçadoras de políticos ou outras grandes corporações, avalia Kick. Ele conclui: o jornalismo se tornou menos investigativo, porquanto é muito mais fácil propagar os "releases" de imprensa das corporações e do governo que batalhar duro pela verdade; o jornalismo investigativo requer mais tempo e dinheiro.

James Fallows, jornalista americano, autor de "Detonando a Notícia" (Civilização Brasileira), também critica o jornalismo atual: "Há um dilema para o jornalismo do mundo ocidental capitalista. Por um lado, trata-se de um negócio. É preciso gerar lucro com as agências, revistas, emissoras e jornais. Temos que ser pagos pelo nosso trabalho. Por outro lado, sempre foi mais que um simples negócio. Sociedades democráticas exigem um jornalismo atuante que passe às pessoas as informações necessárias para que tomem suas decisões e possam ter uma visão crítica das fontes de poder. O problema ocorre quando a visão de negócios atropela a função democrática. Aí começa o desequilíbrio".

Os fatos ocorridos a partir dos atentados de 11 de setembro realçaram os melhores e os piores aspectos da cobertura jornalística televisiva, na avaliação de Fallows, o qual observa: "A parte boa é que há mais informação para as pessoas no mundo todo, com a internet. Se você quiser saber algo, pode descobrir. Para quem se interessa, é a era de ouro da informação, e isso é bom. A parte ruim é que a TV ficou muito mais voltada para o senso do espetáculo. Na cobertura da guerra, temos muitos jornalistas que, de alguma forma, caíram em si. Os grandes jornais do país, em especial, estão fazendo ampla cobertura. A grande dificuldade, para a TV, foi descobrir o equilíbrio entre patriotismo e senso crítico. Isso tem sido o mais difícil para as emissoras".

Bill Kovach e Tom Rosenstiel, jornalistas americanos, autores de "The Elements of Journalism" (Ed. Crown, EUA), igualmente criticam o problema do confinamento das empresas jornalísticas em grandes conglomerados com atividades múltiplas.

Observam Kovach e Rosenstiel: "Pela primeira vez na história, as notícias estão sendo produzidas cada vez mais por companhias de fora do jornalismo, e essa nova organização econômica é importante. Nós estamos enfrentando a possibilidade de o noticiário independente ser substituído por interesses comerciais apresentados como notícia".

Para Kovach e Rosestiel o princípio central do jornalismo não é a imparcialidade ou a neutralidade (nenhum jornal nem jornalista é neutro; o importante é caminhar na direção da neutralidade); o princípio central é a independência (algo diferente, muito mais palpável e concreto). Eles concluíram que há nove princípios básicos no jornalismo:

1º) A primeira obrigação do jornalismo é com a verdade;

2º) Sua primeira lealdade é com os cidadãos;

3º) Sua essência é a disciplina da verificação;

4º) Seus praticantes precisam manter independência em relação a quem é protagonista de suas reportagens;

5º) O jornalismo precisa servir como um monitor independente do poder;

6º) O jornalismo deve abrir espaço para a crítica e o compromisso público;

7º) O jornalismo deve se esforçar para apresentar o que é significativo de forma interessante e relevante;

8º) O jornalismo deve manter a notícia completa e proporcional;

9º) Os jornalistas devem ter permissão para exercer sua consciência pessoal.

O público não está distante dos problemas do jornalismo debatidos por Russ Kick, James Fallows e de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, principalmente os problemas da incorporação das empresas de mídia por grandes conglomerados e a falta do jornalismo investigativo. O público passou a desconfiar do jornalismo:

- em 1999, apenas 21% dos norte-americanos achavam que a imprensa se preocupava com as pessoas (41% em 1985);

- apenas 58% respeitavam o papel de "cão de guarda" da imprensa (67% em 1985);

- apenas 45% achava que a imprensa protegia a democracia.

Lorde Northcliffe, considerado o grande barão da imprensa, dizia a seus jornalistas que quatro assuntos podem garantir o interesse público: crime, amor, dinheiro e comida.