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ARTIGOS



ENDIVIDAMENTO

Nos EUA, o volume do crédito bancário em relação ao PIB equivale a 82%; no Japão, a 116%; no Reino Unido, a 121%; na Alemanha, a 123%.

Nesses países, de acordo com a OCDE, o endividamento das famílias em 2000 (como % da renda pessoal disponível, isto é, após o pagamento de impostos) corresponde a: 111% nos EUA; 132% no Japão; 118% no Reino Unido; 115% na Alemanha.

O FED calcula que, em 2001, chega a quase 14% o peso do serviço da dívida das famílias (os pagamentos de juros e principal como % da renda disponível). Essa proporção é a medida mais adequada para refletir a sustentabilidade da dívida.

Na maior parte dos países ricos, a dívida do setor privado apresenta crescimento constante em relação ao PIB, desde a 2ª Guerra. Isso reflete, em parte, a estruturação de um sistema financeiro mais eficiente, capaz de atender de forma mais adequada aos desejos de poupadores e tomadores.

Tomadores ou devedores são pessoas espertas e habéis o bastante para utilizar a alavancagem, uma força que multiplica as forças das pessoas.

Os americanos continuaram a fazer dívidas para financiar seus gastos. Esse fato explica a suavidade até agora demonstrada pela recessão dos EUA. Na avaliação do FED, os ataques terroristas de 11.09.2001 aumentaram significativamente a incerteza em uma economia que já estava debilitada.

Para estimular a economia, o FED promoveu em 2001 onze cortes na taxa de juros: em 2001, os juros caíram de 6,50% para 1,75% ao ano. Uma taxa de juros menor barateou o crédito e incentivou os consumidores a continuarem a fazer dívidas; o ritmo das vendas então se manteve. O crescimento do consumo induz as empresas a investir para manter ou aumentar a produção. O aumento do consumo e dos investimentos reaquece a economia.

Tradicionalmente, os japoneses são considerados o povo mais poupador do mundo.

Mas o fato é que também são os maiores tomadores: suas dívidas equivalem a 132% da renda. A dívida pública do governo japonês não é menos espetacular: equivale a 140% do PIB, o maior nível já atingido por qualquer país rico em tempos de paz.

Nos países pobres, os níveis de endividamento interno são, em geral, baixos.

No Brasil, a relação do total das operações de crédito com o PIB é de 26,8% em dezembro/2001, ante 28% em 2000.

A pequena expressão das operações de crédito no Brasil, em relação ao PIB, não é vantagem, senão mais uma característica de país emergente.

Na condução da política monetária, o Banco Central do Brasil aumenta a taxa de juros básica quando deseja reduzir o ritmo da economia para conter a inflação. Se a base das operações de crédito fosse mais ampla, certamente não seria necessário que a taxa de juros básica, para sensibilizar a economia, chegasse aos patamares que conhecemos.

Um das causas inibidoras da expansão das operações de crédito no Brasil é o risco jurídico.
"Depois de termos alcançado a estabilidade monetária, precisamos da estabilidade jurídica; o crédito bancário está sendo muito impactado pelos problemas jurídicos", afirma o dr. Gabriel Ferreira, presidente da FEBRABAN.

"A dificuldade e a demora no recebimento de créditos reclamados na Justiça é uma realidade", registra o estudo "Juros e Spread Bancário no Brasil", elaborado em outubro/1999 pelo Banco Central. Conclui esse estudo: "Existem pessoas e empresas de má-fé que se aproveitam das dificuldades e demoras no processo judicante para não pagar suas dívidas, sob as mais diversas alegações. E, como não poderia deixar de acontecer, os bons devedores pagam pelos maus na forma de spreads mais elevados e escassez de crédito".