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ARTIGOS



INFLAÇÃO & CRESCIMENTO

"Educação, produtividade, risco-Brasil baixo, estabilidade macroeconômica (baixa inflação) e poupança e investimentos são os fatores determinantes do crescimento, analisa Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil.

Países têm crescido com taxas de inflação baixas: no período de 1985-2001, a Coréia registra uma inflação de 5% contra uma taxa de crescimento do PIB de 7,0%; a China, 8,2% contra 9,7%; a Índia, 8,4% contra 5,7%; México, 37,0% contra 2,7%; Cingapura, 1,5% contra 6,8%. Mas o Brasil com uma taxa de inflação de 606,3% cresceu apenas 2,7%, observa Meirelles.

A experiência internacional no combate à inflação nos mostra: o controle de preços, o controle de capitais, os confiscos e as tablitas não funcionaram no Brasil e no mundo; os bancos centrais, para alcançarem a estabilidade da moeda, podem estabelecer três formas de atuação: 1ª) controlar a taxa de câmbio (ex.: o Brasil de 1995 a 1998); 2ª) controlar agregados monetários; 3º) utilizar a taxa de juros.

Após várias crises cambiais, a maioria dos países abandonaram a primeira alternativa. Devido à instabilidade da demanda por agregados monetários, quase nenhum banco central adota a segunda alternativa; A maioria dos bancos centrais adotam a terceira alternativa: Chile, México, Peru, EUA, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, etc., explica Meirelles.

Por que os juros reais são mais altos no Brasil ? Questiona Meirelles e ele próprio aponta as seguintes razões: 1ª) os rompimentos de contratos no passado; 2ª) o histórico de superávits primários do setor público é recente; 3ª) a trajetória desfavorável da dívida pública/PIB; 4ª) a reduzida participação do setor externo na economia.

O Brasil, diz Meirelles, hoje "precisa de uma taxa de juros reais da ordem de 9% para fazer frente à herança de arranhões na sua credibilidade". Nos EUA, a taxa é de 2,7%; na Espanha, 2,8%; e na Tailândia, 4,5%.

Todos os países, hoje reveladores das maiores taxas de crescimento, tiveram a baixa inflação como condição prévia, e o instrumento mais eficaz para o controle da inflação, de acordo com a experiência internacional, tem sido a taxa de juros, conclui Meirelles.

Ele complementa: Para crescer, o Brasil precisa baixar a taxa de juros real de equilíbrio, mas para isso precisamos baixar o risco-Brasil, através de superávits primários sustentáveis (garantidos pela reforma da previdência e tributária); saldos positivos da balança comercial; e de micro-reformas ("spread" bancário e lei de falência).

"Estamos exatamente no momento da transição: a sociedade começa a deixar de olhar a inflação passada e passa a olhar a inflação futura", observa Meirelles. Essa mudança de perspectiva, continua ele, "pode ser a primeira indicação de que a política monetária estaria começando a quebrar a chamada 'inércia' da inflação". (05.jun.2003).