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ARTIGOS



ESCULTURAS

Desde o Renascimento, em toda cultura ocidental há certa tendência em privilegiar e nobilitar a pintura em relação às demais técnicas, observa Olívio Tavares de Araújo. Nenhum raciocínio teórico-estético, porém, legitima essa ordem.

Na Antiguidade clássica, a escultura ocupava lugar de honra como expressão por excelência do humanismo. A escultura desceu, então, para uma espécie de segundo posto não oficializado. O desenho e a gravura ficaram semi-relegados como disciplinas propedêuticas ou ancilares. Explica Araújo: "O desenho serviria, sobretudo, para que o pintor e o escultor desenvolvam seus projetos, antes de transferi-los para o material definitivo. E a gravura seria um recurso para multiplicar imagens e barateá-las, no âmbito do mercado, sem as ambições e a 'profundidade' das artes 'maiores'."

A qualidade de uma obra de arte independe da técnica adotada e de grandezas mensuráveis: dimensões, duração, complexidade, eloquência, esclarece Araújo. Uma orquestra com mil executantes não é superior a um trio-divertimento (violino, viola e violoncelo), exemplifica ele.

No Brasil, em relação aos pintores, os escultores foram menos numerosos e tiveram menos visibilidade. Explica Araújo: "Não sei se há outros, mas na raiz disso, indubitavelmente, encontram-se os problemas logísticos da própria escultura, mais cara de produzir; mais difícil de transportar e expor; mais frágil no caso de originais em gesso, argila, terracota, exigindo um espaço especial para ser adequadamente colocada. Vende-se pouco ao colecionador particular e depende de áreas públicas, do apoio do Estado, de uma política cultural estruturada e ambiciosa que nunca foi a especialidade do Brasil. Um desenho pode-se fazer de graça, na solidão de um quartinho; uma gravura, com levíssimos utensílios, no silêncio dos ácidos e placas. Já a escultura exige, no mínimo, um vasto ateliê, e provavelmente auxiliares, em etapas sucessivas."

Depois de Aleijadinho, o nosso principal escultor é Victor Brecheret, afirma Araújo. Brecheret foi nosso grande escultor de índole clássica, e Ernesto de Fiori foi nosso escultor expressionista por excelência. A melhor e mais ampla produção escultórica brasileira, continua Araújo, origina-se do movimento neo-concretista (anos 1960, no Rio). São neo-concretistas: Amílcar de Castro, Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica. Franz Weissmann, egresso do concretismo, juntou-se depois aos neo-concretistas. Waltércio Caldas tem ascendência neo-concretista.

Brecheret e Fiori, como vários outros grandes artistas brasileiros, não nasceram no Brasil. A receptividade da cultura brasileira permitiu florescer, com naturalidade, talentos de origens variadas.

A mostra "Escultores - Esculturas" (de 18.jun a 30.ago.2003), realizada em São Paulo (SP) pela Pinakotheke, dirigida por Max Perlingeiro, apresenta os seguintes artistas: Ernesto de Fiori (1884 - 1945); Lasar Segall (1891 - 1957); Victor Brecheret (1894 - 1955); Maria Martins (1900 - 1973); Bruno Giorgi (1905 - 1993); Oscar Niemeyer (1907); Franz Weissmann (1911); Alfredo Ceschiatti (1918 - 1989); Ione Saldanha (1919 - 2001); Lygia Clark (1920 - 1988); Amilcar de Castro (1920 - 2002); Frans Krajcberg (1921); Lygia Pape (1929); Sergio Camargo (1930 - 1990); Emanoel Araújo (1940); Waltércio Caldas (1946); Tunga (1952).

Grande número de artistas contemporâneos trabalham em modalidades fora da pintura.

Três dos quatro preços mais altos pagos por trabalhos contemporâneos foram para esculturas. Somente onze dos vinte preços mais elevados foram para pinturas (treze para artistas americanos). Os três preços mais altos foram: 1º) US$ 9 milhões, em 2001 - uma escultura de Bruce Nauman, americano, concluída em 1967, intitulada "Henry Moore Bound to Fail, Back View"; 2º) US$ 5,1 milhões, em 2001 - uma escultura de Jeft Koons, americano, concluída em 1968, intitulada "Michael Jackson and Bubbles"; 3º) US$ 5,0 milhões - uma pintura de Jean-Michel Basquiat, americano, falecido em 1982.

Os ricos colecionadores e museus americanos garantem os preços mais altos e mais liquidez às obras de artistas americanos.

Na arte contemporânea, os artistas, geralmente nascidos após 1950, tomam objetos do cotidiano e os transformam em arte.