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ARTIGOS



LIÇÕES DA SEGUNDA GUERRA PARA OS NEGÓCIOS

A Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) legou aos negócios muitas lições na área de liderança, treinamento, administração, inovação e mercado. A guerra, como os negócios, é cheia de armadilhas. Analisar os erros e os acertos do passado podem ser de grande valia no presente. Ninguém pode garantir êxito na guerra, apenas deve fazer por merecê-lo, disse Winston Churchill. A decisão da luta não depende somente dos méritos do vencedor, mas também dos erros do vencidos, comentou Erwin Rommel, marechal alemão. Uma idéia não vence apenas por ser boa. Ele deve ser devidamente apresentada para vencer, observou Joseph Goebbels, ministro da Propaganda nazista (“Lições da Segunda Guerra para os negócios”. Exame, São Paulo, n. 842, 11 maio 2005, p. 90).

Lições de liderança: 1) EQUIPES – Saber escolher subordinados é essencial. E, depois de escolhê-los, é preciso apoiá-los. 2) RISCOS – Líderes precisam ter coragem para tomar decisões e se responsabilizar pelos resultados errados. 3) EXEMPLO – Antes de mandar alguém cumprir uma tarefa, o líder tem de mostrar ser capaz de fazê-la. 4) SUPERAÇÃO – Bons líderes não se deixam abater pela derrota. Aprendem com ela para vencer no futuro.

Lições de treinamento: 1) FLEXIBILIDADE – Em combate, assim como nos negócios, nem tudo acontece como o planejado. É preciso saber adaptar-se às circunstâncias. 2) RAPIDEZ - É melhor estar pronto para reagir rapidamente, mesmo sem estar 100% convicto, ao invés de esperar até ter certeza absoluta da decisão. 3) COMUNICAÇÃO CLARA – Para manter a tropa unida, o comando deve utilizar linguagem simples e direta. 4) DELEGAÇÃO – Os subordinados devem ser preparados para tomar decisões na ausência de ordens superiores.

Lições de administração: 1) INFORMAÇÃO – Coletar, organizar e interpretar dados sobre pessoas, o mercado e os recursos necessários é fundamental para avaliar a capacidade de exércitos. O mesmo vale para as empresas. 3) LOGÍSTICA – O desembarque aliado na Normandia, no célebre “Dia D”, talvez seja o maior exemplo de sucesso de todos os tempos na coordenação sincronizada de uma operação. Não existiria guerra moderna sem logística. 3) PESSOAS – Só equipes motivadas e exaustivamente treinadas podem levar à vitória. 4) VISÃO DO MERCADO – Empresas, assim como exércitos, devem estar constantemente preparadas para movimento de ataque e contra-ataque de rivais.

Lições de inovação: 1) COMPETIÇÃO – Na guerra, como nos negócios, quanto mais intensa a competição, maiores são os estímulos para inovar. 2) ACASO – Inovações de sucesso podem ter a contribuição do acaso (como o forno de microondas, descoberto por acaso, surgido de uma peça originalmente desenhada para um sistema de radares). 3) ESCALA – O sucesso de uma novidade está ligado à capacidade de colocá-la à prova, como na história dos antibióticos (a Segunda Guerra deu impulso definitivo para a adoção dos antibióticos na medicina; antes, desde o fim do século XIX, já se sabia dos efeitos da penicilina no combate a bactérias). 4) APERFEIÇOAMENTO – Não adianta inovar sem um esforço permanente de melhoria, como prova o desenvolvimento dos aviões a jato.

Lições de mercado: 1) COMUNICAÇÃO – Não se deve menosprezar o aparecimento de novas mídias e técnicas de venda. A combinação do nascimento da televisão com o desenvolvimento da publicidade revolucionou a sociedade de consumo. 2) NOVOS MERCADOS - As mulheres têm um papel essencial na estratégia de qualquer empresa. Não só como parte importante da mão-de-obra, mas também como público consumidor. Com a guerra a mulher, até então relegada aos papéis de dona-de-casa, esposa e mãe, entrou definitivamente no mundo do trabalho. 3) ESCALA – A produção de artefatos militares em escala foi fundamental para derrotar o inimigo durante a guerra. A indústria aprendeu ser esse fator também útil para liquidar a concorrência. 4) SINTONIA – As pessoas têm cada vez menos tempo para cumprir todas as suas obrigações diárias. Logo depois da guerra, prosperaram os produtos destinados a ajudar a economizar tempo (arroz de preparo rápido; café solúvel; refresco em pó; eletrodomésticos; shopping centers; supermercados no lugar dos armazéns; caixas de pagamento). Nos EUA, existiam 8 shopping centers no final da guerra; em 1960, já eram 4 mil.

A necessidade de conhecer em profundidade os desejos do mercado gerou, no pós-guerra, um novo braço da administração, o “marketing”.

O mundo saiu da Segunda Guerra ávido por consumidor. A competição se acirrou e com ela surgiu a necessidade de convencer os consumidores a optar por produtos, serviços e marcas. A propaganda passou a ser utilizada com força até então inédita. Nos EUA, houve uma proliferação de agências de propaganda: de 1,6 mil, em 1939, para quase 6 mil, em 1948. A televisão ajudou a moldar a sociedade de consumo. Em 1948, existam apenas 350 mil aparelhos nos EUA. Dois anos depois, já eram mais de 8 milhões.