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ARTIGOS



CRIATIVIDADE

“É a criatividade que tira o profissional do sopão dos medíocres”, diz Francisco Britto, um dos sócios da consultora paulista BW. “Para ter sucesso não basta ser competente e dedicado; além delas, é preciso ser criativo”, conclui João Gabriel de Lima, jornalista, autor de reportagem intitulada “Criatividade”. Ele explica: “As pessoas bem-sucedidas são competentes e dedicadas; se não o fossem, já teriam sido expelidas do mercado. Mas aparecem com realce as pessoas que costumam ter também boas idéias.”

“Inteligência é a capacidade de armazenar e manejar adequadamente um vasto volume de dados, e a criatividade seria o poder de síntese, ou seja, a faculdade de combinar esses dados para obter algo novo e útil”, interpreta Margaret Boden, inglesa, autora de “A mente criativa”.

Einstein, alemão, físico, formulador da teoria da relatividade, definiu o seu trabalho como “arte combinatória”. Os florentinos criaram a ópera, no século XVI, combinando as artes da música com a arte da encenação.

Se algumas pessoas desenvolvem o seu potencial criativo, enquanto outras não, isso se deve a um fator primordial: o prazer de pensar, avalia Gabriel de Lima. “Pensar é um dos maiores prazeres da raça humana”, comentou Galileu Galilei, italiano, cientista.

São criativas: as pessoas dotadas de curiosidade (não se limitam a cumprir uma tarefa da maneira mandada pelo chefe e querem saber a razão do trabalho e a sua repercussão em outras áreas da empresa); as pessoas com a virtude da inquietude (não se limitam a fazer apenas o esperado delas); as pessoas caracterizadas pelo realismo (elas se confrontam com realidade, e esse choque acende a faísca das novas idéias).

“Um profissional criativo é sobretudo alguém que, diante de um problema, levanta diferentes alternativas, em vez de limitar-se a soluções conhecidas de antemão”, resume Tania Casado, professora, coordenadora do centro de carreiras da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

Existe uma revolução em curso no mundo das profissões: a era do conhecimento presencia o nascimento da “cultura criativa” em oposição à “cultura corporativa”, afirma Richard Florida, americano, Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, autor de “A ascensão da classe criativa”. Florida explica: “Hoje, a capacidade de realizar tarefas corretamente não é mais a mercadoria que os empregados vendem aos empregadores. Isso seria a característica da cultura corporativa. Na era criativa, as pessoas vendem, acima de tudo, sua capacidade de pensar. Espera-se mais de um profissional de hoje do que no passado.”

“As profissões estão mais estressantes, mas são também muito mais interessantes, mais prazerosas”, prossegue Florida. Ele acrescenta: “E o novo mundo do trabalho não é apenas uma corrida por melhores salários, mas também por desafios. Os profissionais querem ter o prazer de criar uma obra de arte inédita, um produto novo.”

Conclui Florida: “Um profissional criativo estimula seu cérebro também nas horas de lazer. Ler bastante, frequentar cinema e teatro, viajar para conhecer outras culturas, ter um ‘hobby’ que exige atenção constante – como jogos de computador ou esportes radicais – constitui um padrão entre os que são bem-sucedidos. Nos Estados Unidos, a busca de estímulos faz com que essas pessoas se concentrem em cidade de vida cultura intensa e ambiente tolerante.”

São dicas para ser mais criativo: “1ª) Nunca se contente com a primeira idéia que lhe ocorrer. Busque outras para, entre muitas, escolher a melhor; 2ª) Não se acomode. Sempre existe uma maneira de fazer melhor, mais rápido ou com menor custo aquilo que você já faz. Se você não pensar nisso, alguém irá pensar; 3ª) Seja curioso. Evite reproduzir tarefas mecanicamente. Busque as causas, os porquês, as implicações. Muitas idéias surgem daí; 4ª) Idéias não saem do nada. Associe, adapte, substitua, modifique, reduza. As combinações são infinitas; 5ª) Não acredite em bordões como “isso nunca vai funcionar” ou “em time que está ganhando não se mexe”. O novo sempre assusta. Toda idéia tem de quebrar resistências; 6ª) Tenha iniciativa. Muitas boas idéias acabam no fundo da gaveta porque seus autores não tomam a decisão de mostrá-las aos outros; 7ª) Ouça os outros. Principalmente se eles pensam diferente de você. As idéias se desenvolvem com a divergência; 8ª) Faça de vez em quando coisas que contrariem seus hábitos, no trabalho ou no lazer. Por exemplo: se você gosta de filmes de ação, assista a um drama romântico. Se é fã de ‘rock’, tente o ‘jazz’. Sair da rotina é sempre estimulante para o cérebro.” (Antonio Carlos Teixeira da Silva, consultor especializado em criatividade e inovação)

“Ser criativo na execução e saber como fazer, planejar e dedicar o maior tempo possível ao negócios, esses são os dois pontos essenciais para crescer hoje em dia, a chave do sucesso”, diz Martin Scorrell, dono da WPP, a maior empresa de “marketing” do mundo. Scorrell justifica: “Todos os setores estão mais competitivos e os clientes, mais exigentes. As indústrias produzem mais do que deveriam. A automobilística fabrica anualmente 70 milhões de carros para 50 milhões de consumidores. Quem não tem criatividade para conquistar o cliente está morto.”

Os seres humanos são naturalmente criativos. Amam criar, mas também são apaixonados pela destruição e pela crítica. Todas as formas de arte, envolvendo a política, o desenvolvimento tecnológico, econômico e social, assim como a pintura e a literatura, necessitam da criatividade (tese) e, também, de suas duas forças antagônicas: a destruição e a crítica (antítese e síntese). A criatividade precisa superar seus adversários para garantir o progresso, diz Paulo Johnson, inglês, historiador, autor de ´Os intelectuais´ e ´Os criadores´. A criatividade é, por meio da invocação de razões científicas ou morais, freada pelo medo, estimulador do atraso. O medo vem impedindo muitos países de usar a energia nuclear de forma consciente, em substituição a outras fontes de energia. A energia nuclear poderia minimizar os impactos energéticos do crescimento econômico da China e da Índia, provocadores da escassez de petróleo. O estudo dos grandes criadores revela dois fatos: 1) ninguém cria no vácuo, mas como parte de civilizações evoluídas de sociedades anteriores; 2) ninguém vira um grande criador por sorte, pois todo ato criativo, mesmo quando surgido num lampejo, é fruto de muito trabalho, estudo e conhecimento (Veja, São Paulo, n. 1.962, 28 jun. 2006, p. 11).